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Queda de Yunus pode trazer consequências políticas a Bangladesh

Senador americano envia carta criticando influência do governo no Grameen

Por Da Redação 16 mar 2011, 17h58

Após exigir a saída de Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel e pioneiro do microcrédito, da direção do banco Grameen, o governo de Bangladesh tem sido acusado de exercer influência em excesso sobre a instituição. O senador democrata americano Dick Durbin enviou uma carta à primeira-ministra do país, Sheikh Hasina Wajed, na última terça-feira informando-a que os membros do congresso americano estavam “perplexos com o que parecia ter sido um esforço de meses da parte do governo de Bangladesh para destituir o professor Yunus de suas funções”, afirmou o jornal britânico Financial Times, reproduzindo um trecho da carta.

O deputado democrata Jesse Jackson classificou a atitude do governo de Bangladesh como um “ataque direto à sociedade civil”, de acordo com o FT. O jornal também relata que 26 membros do congresso bengalês avisaram ao governo que a campanha contra Yunus poderia prejudicar o fortalecimento das relações entre Estados Unidos e Bangladesh, em áreas como cooperação econômica e defesa.

Segundo o jornal, tal pressão dos congressistas americanos – sem contar o da própria Secretária de Estado, Hillary Clinton – poderá ajudar Yunus a, pelo menos, negociar algum tipo de transição no Grameen. A mídia local reportou que o Nobel havia enviado uma carta à primeira-ministra pedindo que houvesse uma transição lenta antes de sua total saída do banco. No entanto, ainda não há acordo ao horizonte.

Bengalês ilustre – Yunus é o pai do conceito de microcrédito – o empréstimo de pequenas quantias de dinheiro a pessoas pobres, que jamais conseguiriam um tostão dos bancos convencionais. Em 1976, quando ainda era professor universitário, fez a primeira experiência desse tipo ao oferecer 27 dólares a um grupo de 42 artesãos em dificuldades. A soma irrisória foi suficiente para que eles comprassem matéria-prima, vendessem sua produção de tamboretes de bambu e garantissem a continuidade do negócio. Animado com as possibilidades que a iniciativa apresentava, o intelectual virou banqueiro no ano seguinte. Fundou o banco Grameen, que significa “banco da aldeia” em bengali, e passou a fomentar a atividade econômica entre os pobres.

Desentendimentos – Defensores de Yunus acreditam que a série de desentendimentos entre ele e o governo do Bangladesh começou em 2007, quando ele, que havia sido premiado com um Nobel no ano anterior, sugeriu a criação de um novo partido político. O objetivo era limpar Bangladesh da corrupção na administração pública.

Tal ato teria gerado a ira da primeira-ministra Sheikh Hasina Wajed. Recentemente, Hasina declarou publicamente que os fornecedores de microcrédito estão “sugando o sangue dos pobres”, e tem se posicionado, abertamente, contra o Grameen. O que levou, após meses de conflito, à demissão de Yunus.

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