Quase R$ 700 milhões em dívidas da Gafisa entram em zona de alerta
Levantamento identifica ocorrências de não pagamento, waivers ou discussões sobre vencimento antecipado em 20 de 26 papéis ligados à companhia
A pressão sobre o crédito privado da Gafisa se espalhou por quase toda a carteira de títulos vinculados à companhia.
Levantamento da Vitrify, com data-base desta terça-feira, 29, mapeou R$ 805,3 milhões de saldo devedor em 26 CRIs nos quais a incorporadora responde diretamente pela dívida ou como fiadora. Desse total, R$ 697,6 milhões, ou 86,6%, estão em papéis que registraram desde julho episódios de não pagamento, concessão de waiver ou discussão sobre vencimento antecipado.
A exposição se divide entre R$ 282,7 milhões em instrumentos nos quais a própria Gafisa é devedora direta e R$ 522,6 milhões em operações em que aparece como fiadora e devedora solidária de SPEs ligadas a empreendimentos imobiliários.
Outro sinal da busca por alívio no caixa aparece no pagamento dos juros. Treze dos papéis, que somam R$ 440,3 milhões e representam 54,7% do saldo analisado, incorporaram juros ao principal entre junho e setembro. Em seis deles houve apenas capitalização no período; outros sete alternaram pagamentos e incorporação.
Entre os maiores blocos com ocorrências recentes estão três CRIs do Flor do Cais, com R$ 157,3 milhões; dois papéis ligados ao empreendimento Bait, com R$ 154,4 milhões; e operações do Campo Belo, que somam R$ 136,5 milhões.
A maior parte desses títulos foi originalmente absorvida por fundos. Eles responderam por 82,25% da colocação dos papéis analisados, segundo os anúncios de encerramento das ofertas.
Entre as gestoras cuja posição atual foi identificada aparecem Valora, Pátria VBI, Iridium, Fator e BTG Pactual. Somadas, 13 gestoras carregam R$ 590 milhões em valor nominal dos títulos do recorte.
O levantamento ressalta que a existência desses eventos não equivale, isoladamente, a uma análise de crédito da Gafisa. Em vários casos, os credores optaram por conceder prazo adicional, afastar o vencimento antecipado ou permitir a incorporação de juros, em vez de executar imediatamente as garantias.





