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Quais são as tendências em ovos de chocolate para a Páscoa

O chocolate ao leite lidera o ranking dos mais consumidos do país com uma fatia de 42%, segundo ranking da Abicab

O Brasil é um país multicultural e essa diversidade se reflete na Páscoa, a data mais importante para a indústria nacional de chocolates. Há quem goste do ao leite, outros preferem o amargo, alguns optam por versões enriquecidas com wey protein – são inúmeras as opções. O importante é o consumidor ter clareza do que deseja comprar e olhar os rótulos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o chocolate é resultado da mistura de massa de cacau, cacau em pó e/ou manteiga de cacau com outros ingredientes e precisa conter o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau. Muitos dos chocolates disponíveis nas gôndolas são ricos em açúcar e gorduras (além da manteiga de cacau, gorduras do leite, vegetal, e vegetal hidrogenada) e a indústria não está fazendo nada de errado, isso é permitido por lei. O agravante está no fato de o órgão regulatório não estabelecer porcentuais para esses ingredientes. “Isso torna os chocolates menos puros e abre uma oportunidade para a onda dos 70% cacau, porque eles são diferentes do convencional e têm um apelo maior de uso de ingredientes”, diz Cynthia Antonaccio, nutricionista da Consultoria Equilibrium.

Pesquisas recentes apontam três nichos de chocolate como tendência. O primeiro é voltado para aqueles que buscam produtos mais saudáveis. São os chocolates mais puros, com um porcentual de cacau de 60% para cima. O segundo são os chocolates funcionais, aqueles que têm um melhor balanço nutricional, substituição de açúcares, redução de gordura e adição de ingredientes ricos em vitaminas, minerais e fibras. E o terceiro está relacionado à qualidade e engloba três segmentos: 1- Os chocolates premium Bean to Bar, em que o fabricante controla todas as etapas desde a escolha da amêndoa até a fabricação da barra. 2- Os chocolates de origem, aqueles elaborados com matéria-prima de uma região, conhecida por seu terroir, o que garante ao produto final características únicas relacionadas à procedência. 3- Chocolates varietais, produtos feitos com um único tipo de cacau, o que evidencia peculiaridades específicas de aroma e sabor. “Esta onda de produtos saudáveis permeia a tribo dos vegetarianos, dos flexitarianos, dos bodybuilders, que querem uma alimentação mais proteica. Enfim, todos os consumidores que buscam saúde das mais diferentes formas”, diz Cynthia.

Ovo de páscoa de whey protein O consumidor vem procurando produtos com mais qualidade: ovos de Páscoa com wey protein estão entre as opções no mercado

O consumidor vem procurando produtos com mais qualidade: ovos de Páscoa com wey protein estão entre as opções no mercado (Mega Vitaminas/Reprodução)

O mercado e os empreendedores estão aproveitando esses nichos. Marcas de suplementos alimentares lançaram ovos de Páscoa com whey protein. Há também opções para os intolerantes à lactose e/ou ao glúten. “O chocolate sem lactose tem substituição na formulação de qualquer ingrediente que contenha leite ou derivados com lactose. Esses itens são substituídos por produtos à base de soja ou por leite sem lactose”, diz Arali Pedroso, professora da Castelli Escola de Chocolataria. No caso da chef de cozinha e cake designer Paula Pavoni , ela faz doces de acordo com a demanda do cliente. “Na linha muscle food, eu tenho ovo com casca de chocolate 70% cacau, recheado com brownie sem glúten e brigadeiro whey protein”, diz.

Outro segmento são os ovos light, que têm redução de 25% de algum ingrediente (gordura, açúcar) em relação à versão tradicional. E também os produtos para diabéticos e celíacos, pessoas que não podem comer glúten, pois seu corpo não processa a proteína. Para o primeiro grupo, a opção são os chocolates dietéticos, que não têm adição de açúcar. Mas é necessário cautela: muitas vezes, esse tipo de produto tem uma dose maior de gordura para compensar a falta de açúcar. Já no caso dos celíacos, o consumidor deve prestar atenção aos rótulos. “O chocolate não é uma fonte natural de glúten, mas, dependendo do que for adicionado à formulação, ele pode conter. Outro ponto é que as fábricas, que produzem o chocolate, podem produzir outros itens que levam glúten, acarretando o que chamamos de contaminação cruzada”, explica a nutricionista Fernanda Leme, da Consultoria Equilibrium.

Ovo de bolo cenoura sem glúten com brigadeiro de Whey Protein da chef Paula Pavoni

Ovo de bolo cenoura sem glúten com brigadeiro de Whey Protein da chef Paula Pavoni (Reprodução/Instagram)

Nichos à parte, quando se fala na maioria da população, pode-se dizer que o paladar do brasileiro é doce. “Isso até por razões históricas resultantes do ciclo da cana-de-açúcar e da fusão de diversas culturas culinárias”, explica Jumar Pedreira, professor da Castelli Escola de Chocolataria. Prova disso é que o tipo ao leite lidera o ranking dos chocolates mais consumidos do país com uma fatia de 42% – de acordo com dados da Abicab, associação que representa a indústria brasileira de chocolate e cacau. “O Brasil possui hoje uma das maiores Páscoas do mundo”, diz Ubiracy Fonseca, presidente da organização.

O costume de dar ovos de chocolate durante a festa cristã –  que celebra a ressurreição de Jesus Cristo – foi criada pelos franceses no século XVIII, em substituição aos ovos cozidos decorados, usados para comemorar  o dia. “A Páscoa é disparada a data comemorativa em que o brasileiro mais presenteia com chocolate, seguida de aniversário e dia dos namorados”, diz Fonseca. No ano passado, a produção nacional para a data foi de 9.000 toneladas de chocolate, o equivalente a 36 milhões de ovos.