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Puxado por energia elétrica, inflação do aluguel avança novamente em julho

Energia pressionou o IGP-M, referência para reajustes de aluguéis, que acumula alta em habitação e transportes; tendência para os próximos meses é de queda

Por Felipe Mendes Atualizado em 2 ago 2021, 18h58 - Publicado em 29 jul 2021, 17h54

Um dos piores pesadelos para os brasileiros, a inflação deu as caras no segundo semestre de 2020 e ainda continua tirando o sono dos contribuintes. A disparada do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), um dos medidores do custo de vida e principal métrica para o reajuste dos aluguéis no país, inclusive, gerou vários embates judiciais no âmbito corporativo neste ano, um retrato que, provavelmente, se repetirá em 2022. Prova disso é que, segundo resultados divulgados nesta quinta-feira, 29, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador avançou 0,78% em julho frente ao mês anterior. No intervalo de 12 meses, a taxa de elevação é de 33,88%, ao passo que, de janeiro a julho, o ponteiro disparou 15,98%. Quem apostava no arrefecimento das taxas para o segundo semestre deste ano, não levava em conta a crise hídrica, que deve continuar pressionando a conta de energia elétrica para a indústria, a agropecuária e os lares dos brasileiros.

A aposta do economista André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, é que o IGP-M termine o ano com uma alta estimada de 18%. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que é o indicador oficial da inflação do país, deverá romper a barreira dos 7% em 2021. O cenário é desafiador. “Esse diferencial entre o IPCA e o IGP-M deve ceder mais no ano que vem, quando o IGP-M deve registrar alta de 8% e o IPCA de 4%. Pelo menos nos próximos 12 meses, a diferença ainda será grande”, projeta Braz. Para o restante do ano, ele estima que os alimentos e os produtos derivados do minério de ferro possam registrar novos aumentos de preços devido à manutenção da bandeira vermelha da energia elétrica.

Um dos componentes do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,83% em julho, ante alta de 0,57% no mês anterior. Os principais vilões foram os itens do grupo de “Educação, Leitura e Recreação”, que passaram de uma deflação de 0,69% em junho, para um avanço de 2,16% em julho. Nesta classe de lazer, vale destacar as passagens aéreas, cujas taxas dispararam no mês (de -7,28% para 24,69%), por conta do efeito sazonal: as férias de julho. Segundo grupo de maior alta no IPC, a “Habitação” (1,10% para 1,66%) deve continuar ganhando destaque nos próximos resultados, já que é um dos indicadores que mais sofrem com o aumento da tarifa de energia elétrica. A categoria “Transportes”, no entanto, apresentou uma desaceleração da alta. Se em junho o avanço foi de 1,43%, em julho esse valor foi de 0,73%. No intervalo de 12 meses, porém, é o indicador que mais pressiona o IGP-M, com avanço de 14,67%.

O economista vê o custo da energia como a grande incógnita para os últimos meses deste ano. A Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, sinaliza com um novo reajuste para cima na bandeira vermelha. Em julho, o patamar 2 da bandeira vermelha já havia sido reajustado de 6,24 reais para 9,49 reais a cada 100 kwh consumidos. “Se a energia fica mais cara, isso encarece a produção de carros, de bens para a construção civil, e atrasa a retomada, porque é mais uma pressão de custos para a indústria”, explica Braz. A bandeira vermelha deve perdurar, ao menos, até novembro. “Temos um monte de pedras no caminho: taxas de juros subindo, aumento de preço dos insumos, crise hídrica, uma reforma tributária que resulta em mais tributos para as empresas, sem contar o risco político e a variante Delta da Covid-19. Isto posto, se o país realmente crescer 5% este ano, como indicam as previsões mais otimistas, será motivo para comemorar.”

Em relação aos embates provocados pelo reajuste dos aluguéis, Braz acredita que o impasse no âmbito corporativo irá perdurar para o próximo ano, uma vez que o IGP-M não deve se arrefecer a ponto de igualar a alta do IPCA. “Essas brigas são mais no setor comercial do que no residencial. Como é mais difícil mudar o lugar de um galpão, de um shopping ou de uma indústria, há uma rigidez maior na negociação por parte do proprietário”, afirma ele. “No residencial, há mais espaço para negociar, até porque o proprietário não tem facilidade para encontrar outro inquilino para o imóvel, já que o desemprego está alto e a demanda é fraca. O dono do imóvel entende a situação, e é mais sensível a isso, porque o aluguel também é uma fonte de renda para ele.”

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