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Projeção para inflação cai pela segunda vez, mas dólar sobe

Alta da Selic já reflete na inflação, mas perspectivas para 2022 escapam da meta; dólar mais valorizado está ligado a fatores externos e internos

Por Luana Meneghetti Atualizado em 20 dez 2021, 15h01 - Publicado em 20 dez 2021, 12h09

Após meses de projeções altistas para a inflação, o mercado começou a precificar os efeitos da alta de juros (Selic) nos preços. Essa é a segunda vez consecutiva que as projeções para a inflação cederam. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 20, os analistas consultados pelo Banco Central projetam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 10,04%, enquanto as apostas para o dólar continuam subindo pela terceira semana consecutiva, saindo de 5,50 reais para 5,60 reais, para os poucos dias que restam de 2021.

O câmbio mais valorizado está relacionado com a aceleração do processo de tapering – retirada dos estímulos – dos Estados Unidos, que provoca a redução da liquidez de mercados emergentes como o Brasil, tendo como efeito a valorização do dólar. Além disso, estão na conta a desaceleração da China e o cenário de volatilidade e instabilidade do Brasil que vai adentrar em ano eleitoral. A valorização do câmbio pode impactar novamente no preço de algumas commodities, como o petróleo, e dos alimentos, em especial insumos importados, levando a um fortalecimento também das exportações, que acabam por reduzir a oferta de produtos para consumo doméstico. Por isso, embora as projeções de inflação tenham arrefecido no final deste ano, as perspectivas continuam não sendo otimistas para 2022. O mercado passou a projetar uma inflação mais alta para o próximo ano, de 5,03%, quando o centro da meta é de 3,50% e o teto de 5%. O BC também prevê uma inflação bem próxima ao teto, de 4,7%. Em seu Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na semana passada, a autoridade monetária demonstra preocupação com a magnitude e a persistência dos choques, “com seus possíveis efeitos secundários e com a elevação das expectativas de inflação, inclusive para além do ano-calendário de 2022”. Assim, a probabilidade de a inflação ultrapassar os limites do intervalo de tolerância em 2022, saltou de 17% para 41%, nas perspectivas do atual relatório do BC.

Para manter a inflação ancorada, o BC já sinalizou a continuidade de sua política monetária contracionista, com aumento de mais 1,5 ponto percentual na próxima reunião do Copom, elevando a taxa básica de juros (Selic) de 9,25% para 11,75% durante 2022, terminando o ano em 11,25%, e reduzindo para 8% em 2023. Com a economia desaquecida pelo efeito da alta da taxa de juros, as projeções para o PIB continuam pessimistas. Essa é a décima semana consecutiva que o mercado projeta um crescimento menor para 2021. Assim, o PIB deve encerrar o ano em 4,58%. Para 2022, a projeção continua estável em 0,50%. As revisões do BC em relação ao PIB também recuaram, de 2,1% para 1% para o próximo ano, ainda assim continuam mais otimistas que o mercado.  Questionado sobre o risco do efeito de juros sobre a desaceleração da economia, o presidente do BC diz que o aumento dos juros ainda é o melhor remédio para gerar solução de longo prazo. “A ancoragem da inflação é o elemento mais importante para estabilizar o crescimento de longo prazo e a parte fiscal do país”, disse Neto em coletiva de imprensa na semana passada para apresentação do último Relatório Trimestral de Inflação.

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