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Produtos falsificados marcam presença nas compras natalinas na China

Por Da Redação 20 dez 2011, 05h05

Paloma Caballero.

Pequim, 20 dez (EFE).- Novas imitações de produtos europeus de luxo, comestíveis e não comestíveis foram colocados à venda na China nas últimas semanas, seja nas prateleiras das lojas ou pela internet, para aproveitar o apelo comercial das festas natalinas.

Nas tendas gourmet do centro de Pequim, os consumidores podem encontrar até presuntos chineses, do ‘tipo ibérico’ e no ‘mais puro estilo Parma’, ambos com osso – o que não é permitido na importação dos espanhóis e dos italianos com a denominação de origem – e com a metade do preço dos verdadeiros.

O presunto é considerado um produto de luxo na sociedade chinesa e, por isso, é recebido como um presente magnífico nessas festas, já que são até vendidos junto com instruções de como cortá-los, prepará-los e consumi-los. Porém, a autenticidade do alimento não parece ter muita importância.

A produção tradicional de presunto chinês na província de Yunnan, de sabor mais salgado, se uniu nos últimos meses ao ‘Bamaha’ (imitação fonética de ‘Parma Ham’, presunto de Parma) da região de Hangzhou, onde a empresa produz peças de 6, 7 e 7,5 quilos, que custam entre US$ 71 e US$ 87.

Para convencer o eventual comprador de sua semelhança com o autêntico, o folheto do presunto aparece uma formosa imagem do amanhecer em uma cidade italiana de arquitetura medieval e belas florestas.

Outro produto falso que se prolifera durante o Natal na China são as bolsas e sacolas que imitam conhecidas marcas da moda europeia. ‘O importante é enviar um sinal que indique luxo. Se você dá de presente ou usa uma, as pessoas o tratam melhor’, diz uma mulher de sobrenome Chen em declarações ao ‘Diário de Comércio de Chongqing’.

‘Às vezes, posso me encontrar com clientes muito exigentes e difíceis de tratar, mas, se levo uma bolsa com a marca Gucci, Chanel ou Dior, eles me respeitam mais’, acrescenta Chen, que trabalha numa agência de publicidade.

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Segundo Shi Er, funcionária da mesma agência, ‘Chen utiliza somente sacolas da Hermès para levar seu café da manhã ao escritório. Eu também uso sacolas de marcas quando levo o trabalho para casa’.

‘Não me importa que me chamem de vaidosa ou que digam que finjo ser rica, pois não posso comprar os produtos de luxo que estão no mercado, como os exemplares verdadeiros dessas mesmas bolsas’, afirma Shi.

Em Yueyang, na província de Hunan, uma fábrica se lançou com sucesso ao fabricar cópias de sacolas de marcas famosas, como Dior, Chanel, Gucci e Hermès, entre outras, as quais são vendidas com pequenas variações de preço entre elas.

Um dos vendedores da franquia pela internet, de pseudônimo Xiamihappy, diz à Agência Efe que o negócio ainda é muito jovem e ainda não é muito conhecido e, por isso, ‘a maioria dos clientes compra uma ou duas bolsas apenas para uso pessoal’.

Essas aquisições incluem um pagamento extra de taxas de envio, mas, se os clientes comprarem mais de dez, a entrega é gratuita.

Segundo Xiamihappy, a fábrica também oferecerá bolsas de outras marcas famosas, ‘pois muitas pessoas não podem comprar as verdadeiras, consideradas verdadeiros artigos de luxo’.

A internauta Zhang Xi admite comprar sacolas falsas como sinal de luxo, principalmente da marca Chanel. Ela diz entregar todos os seus presentes nessas sacolas, ‘pois assim ficam com uma aparência melhor’.

Outra internauta, com pseudônimo de Yazi, revela sua vontade de comprar essas bolsas, mas somente para usá-las. ‘(As bolsas) simbolizam um poder maior quando a mesma entra em um comércio para comprar algo, já que os vendedores acabam prestando mais atenção’.

‘As sacolas de papel e as bolsas de marcas famosas transmitem um sinal sobre a capacidade de consumo de quem as leva e ajudam a despertar um interesse positivo nas pessoas. Não importa que não sejam as verdadeiras’, acrescenta Yazi. EFE

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