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Produção industrial sobe 0,3% em abril, mas acumula queda de 2,7% no ano

Produção de máquinas, veículos e produtos químicos são destaque; setor extrativo ainda patina com tragédia de Brumadinho e tem baixa de 26% no quadrimestre

A produção da indústria brasileira cresceu 0,3% em abril, na comparação com março, porém o setor ainda acumula queda de 2,7% nos quatro primeiros meses do ano, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira, 4, pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

A maior influência negativa partiu do setor extrativo, pressionado pela redução na produção de minério de ferro, decorrente do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), em janeiro. Com isso, a indústria extrativa caiu 9,7%, e teve o quarto resultado negativo seguido na comparação com o mês anterior, acumulando -25,7% no ano. Em relação a abril de 2018, o recuo foi de 24%.

“Há um efeito de queda em sequência do setor por conta de Brumadinho, e isso vem trazendo impactos negativos na indústria como um todo”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo, complementado que o crescimento na indústria geral seria de 1,2% se o setor extrativo não fosse considerado na pesquisa.

A ligeira alta de abril foi influenciada pelos resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas em relação a março. Houve altas de 3,4% em bens de consumo duráveis, 2,9% em bens de capital e de 2,6% em bens de consumo semi e não duráveis. Já o setor de bens intermediários caiu 1,4%, a quarta queda seguida, acumulando -4,2% nesse período.

Sobre a indústria de transformação como um todo, Macedo diz que há uma constante que contribui para justificar a queda do setor industrial no ano. “São fatores que a gente já comenta para o setor industrial, associados à demanda em ritmo menor e à taxa de desocupação do mercado de trabalho”.

Carros

Ante março, houve crescimento em vinte das 26 atividades pesquisadas. Entre as altas na passagem de março para abril, destaque para o crescimento de 7,1% em veículos, 8,3% em máquinas e equipamentos, 5,2% em produtos químicos e 1,5% em alimentos. Esses setores reverteram os resultados negativos de março.

“Veículos automotores vêm mostrando um comportamento de maior volatilidade, em função de uma demanda doméstica que não consegue acompanhar essa produção. Ainda há a crise na Argentina afetando as exportações desse setor, então se regula a produção para atender a demanda”, diz Macedo.