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Produção industrial segue negativa, mostra CNI

Por Sandra Manfrini e Ayr Aliski

Brasília – A produção industrial continua negativa, segundo a Sondagem Industrial divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados mostram que a produção em outubro ficou em 48,8 pontos ante 48,6 pontos registrados em setembro. Apesar da ligeira evolução em relação ao mês anterior, segundo a metodologia da pesquisa da CNI, esse indicador (que varia de 0 a 100), quando abaixo de 50 pontos, revela que a produção continua negativa.

Esse dado é ainda reforçado pelos números relativos à Utilização da Capacidade Instalada (UCI). Em outubro, o porcentual médio de UCI ficou em 76%, o mesmo registrado em setembro. A sondagem traz ainda os dados relativos à UCI efetiva em relação ao usual para o período, a qual se afastou ainda mais da linha de 50 pontos. Segundo a sondagem, a UCI efetiva em relação à usual caiu de 45 pontos em setembro para 43,9 pontos em outubro, o que é o menor índice desde junho de 2009. Nesse indicador, também valores acima de 50 pontos mostram evolução positiva, estoques acima do planejado ou UCI acima do usual. Ficando abaixo de 50, a UCI representa problemas para a indústria.

Apesar da queda na produção, os estoques de produtos finais voltaram a se elevar em outubro. O índice de estoques efetivos em relação ao planejado atingiu 53,4 pontos ante 52,9 pontos em setembro. Para o economista da CNI Marcelo Azevedo o acúmulo de estoques deve reduzir ainda mais a produtividade nos próximos meses. “Prevíamos que a produção seria fraca para ajustar os estoques. Mas mesmo como retração, as empresas continuam acumulando mercadorias”, afirma.

Expectativas

A Sondagem Industrial também mede o grau de expectativas do setor. Essa queda da atividade contamina, segundo os dados da pesquisa, as expectativas. “O otimismo com relação à evolução da demanda é cada vez menos disseminado na indústria”, diz o economista. O índice de 53,3 pontos, registrado em novembro, é o menor desde 2009. Em outubro, esse índice de expectativa quanto à demanda era de 56,1 pontos.

Encontram-se abaixo da linha divisória dos 50 pontos os índices de expectativa de compras de matérias-primas (49,7), números de empregados (48,7) e quantidade exportada (47,9). Isso, na avaliação da CNI, sinaliza o pessimismo dos empresários para os próximos seis meses. A sondagem foi realizada entre os dias 1º e 18 de novembro, com 1.864 empresas, das quais 1.001 são pequenas, 599 de médio porte e 264 grandes.