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Produção industrial cai pelo terceiro mês seguido em maio

Queda de 0,9% ante abril indica perdas acumuladas de 3,4% nos cinco primeiros meses do ano e 1,8% nos últimos 12 meses

Dos 27 ramos de atividade pesquisados pelo IBGE, 14 apresentaram recuo

A produção industrial brasileira recuou 0,9% entre abril e maio de 2012, terceiro resultado negativo consecutivo neste tipo de comparação. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que estimavam desde uma queda de 1,30% a uma expansão de 1,10%, mas foi pior que o projetado pela mediana, negativa em 0,7%.

Em relação a maio de 2011, a indústria apresenta desempenho ainda pior: a queda chegou a 4,3%, o nono resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde setembro de 2009 (-7,6%), informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). As estimativas neste caso estavam entre recuo de 1,50% até -4,40%, com mediana negativa de 3,50%.

Nos cinco primeiros meses de 2012, a indústria brasileira já amarga queda de 3,4% em sua produção. Nos últimos 12 meses, a queda é de 1,8%. Em abril, ante março, a produção industrial havia recuado 2,1%, também descontadas as influências sazonais.

Setores – Dos 27 ramos de atividade pesquisados pelo IBGE, 14 apresentaram recuo. Os principais impactos negativos foram observados nos setores de veículos automotores (-4,5%) e de alimentos (-3,4%), com o primeiro interrompendo três meses de taxas positivas consecutivas e o segundo acumulando perda de 7,1% em dois meses seguidos de desaceleração na produção.

Por outro lado, entre as atividades que ampliaram a produção, os produtos de metal (13,2%) se destacaram, eliminando a perda de 6,1% acumulada em três meses de taxas negativas consecutivas, assim como a indústria extrativa (1,5%), borracha e plástico (2,6%), máquinas e equipamentos (1,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (0,9%).

IPI – Segundo o IBGE, o desempenho negativo do segmento de bens de consumo duráveis foi influenciado em grande parte pela menor fabricação de telefones celulares (-37,1%), automóveis (-5,3%), eletrodomésticos da “linha marrom” (-0,4%), motocicletas (-16,8%) e outros eletrodomésticos – exceto “linha branca e linha marrom” (-25,5%). Nessa categoria de uso, os principais impactos positivos vieram da maior produção de eletrodomésticos da “linha branca” (8,5%) e de artigos do mobiliário (22,3%).”

A produção de linha branca foi influenciada diretamente pelas medidas do governo que envolvem a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para este segmento, como forma de estímulo ao consumo e, consequentemente à economia. Na sexta-feira, o governo adiou o fim dos descontos no IPI para esta linha de eletrodomésticos.

Também foram ampliados os benefícios para os setores automotivo e de produção de bens de capital em maio, mas não parecem ter surtido o mesmo efeito. As medidas valem até 31 de agosto. (Com Agência Estado)