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Produção de veículos cai 15% em 2014, mas Anfavea descarta “demissões iminentes”

Entidade aponta queda de 9% na quantidade de trabalhadores empregados na indústria automotiva, mas diz que demissões recentes foram "pontuais"

Por Daniel Haidar 8 jan 2015, 13h13

O ano de 2015 começou com 800 demissões na Volkswagen e 260 na Mercedes-Benz, o que motivou preocupações sobre o início de uma crise na indústria automotiva. O cenário negativo foi confirmado pela divulgação nesta quinta-feira de que a produção de veículos caiu 15,3% no ano passado, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foram produzidos 3,146 milhões de veículos no ano passado, o menor patamar desde 2009. Mesmo assim, o presidente da instituição, Luiz Moan Júnior, exalou otimismo na apresentação das projeções da entidade para este ano. O executivo disse que os desligamentos foram “casos pontuais” e descartou “demissões iminentes”.

“O que está acontecendo é um processo de negociação individual. Por parte das demais associadas, não tenho nenhuma informação de que tenha um processo iminente de demissão”, afirmou Moan na apresentação das estatísticas sobre a indústria automotiva em dezembro.

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A mensagem do executivo difere do comportamento do mercado de trabalho do setor em 2014. O ano terminou com queda de 9% na quantidade de pessoas empregadas na indústria automotiva. O efetivo caiu de 158.733 pessoas em dezembro de 2013 para 144.623 trabalhadores no fim do ano passado. De acordo com o presidente da Anfavea, as demissões não geram preocupação, porque foram acertadas por programas de demissão voluntária, eram previstas com o encerramento de contratos temporários ou acordos sindicais para ajuste de pessoal.

A venda de veículos novos produzidos no país, medida pela quantidade de licenciamentos, caiu 7,1% em 2014, para 3,498 milhões de unidades. Mas o cenário de otimismo da Anfavea é baseado na expectativa de que diminua a venda de veículos importados com o dólar mais caro e de que continue em expansão o financiamento de veículos, facilitado por uma legislação mais favorável para a retomada de carros de clientes inadimplentes. A entidade projeta um crescimento de 0,5% a 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 2015 e uma expansão ainda maior da produção da indústria automotiva, de 4,1%. “Não estamos sendo otimistas. Acho até extremamente conservador”, afirmou Moan.

A expectativa de recuperação parcial da produção, no entanto, embute uma projeção de que as vendas de veículos continuem em 3,498 milhões, mesmo montante registrado em 2014, de acordo com as projeções da Anfavea. Mas a entidade projeta crescimento de 1% nas exportações neste ano, depois de uma queda de 41% no ano passado.

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