Processo contra a Ford na Justiça de SP cobra novos parâmetros para recalls graves
IDC aciona montadora por falhas no Bronco e Maverick, exigindo que fabricantes assumam a logística e garantam segurança em casos de alto risco
Distribuída na última semana na Justiça de São Paulo, a Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Instituto de Direito Coletivo (IDC) contra a Ford Motor Company Brasil questiona a efetividade dos procedimentos de segurança adotados em recalls de alto risco.
O recente processo mira as falhas na conexão do braço inferior da suspensão dianteira dos modelos Bronco Sport (2021 a 2025) e Maverick (2022 a 2025), anunciadas em junho. As imperfeições podem causar acidentes e levaram a própria fabricante a recomendar que os veículos não fossem dirigidos até o reparo. Para a presidente do IDC, Tatiana Bastos, a responsabilidade não pode ser repassada ao motorista. “Quando a própria empresa recomenda que o consumidor não utilize o veículo, a obrigação vai além da simples divulgação do recall”, afirma.
Procurada pelo Radar, a Ford contestou as alegações. A montadora informou que publicou a campanha de forma preventiva e em conformidade com a legislação, realizando comunicação ampla na imprensa e por cartas enviadas aos proprietários. A empresa ressaltou que orientou os clientes a acionarem a Central de Atendimento para o agendamento do serviço e a remoção gratuita do veículo.
A ACP ajuizada na Justiça paulista pede uma indenização por danos morais coletivos no valor de 70 milhões de reais e visa estabelecer um novo parâmetro jurídico para o setor, evitando que as montadoras transmitam o ônus desse gerenciamento aos motoristas. Sobre o pedido milionário, a Ford declarou que ainda não foi notificada e que não tem conhecimento do processo judicial.






