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Probabilidade de rebaixamento do Brasil é ‘superior’ a 50%, diz Fitch

Diretora para a América Latina da Fitch, Shelly Shetty, diz que rating soberano do Brasil está sob pressão desde abril e alguns indicadores de risco têm piorado

A perspectiva “negativa” para a nota de crédito do Brasil, adotada em abril pela Fitch, indica que a probabilidade de rebaixamento do Brasil é “superior” a 50%, disse a diretora de ratings soberanos para a América Latina da agência de classificação de risco, Shelly Shetty, logo após participar de um painel sobre América Latina para investidores em Nova York. Segundo ela, o rating soberano do Brasil está sob pressão desde abril e alguns indicadores de risco no país têm piorado, com uma recessão que pode ser mais longa e profunda do que inicialmente esperado.

Quando a Fitch fez a avaliação do rating brasileiro em abril, mudando a perspectiva para “negativa”, Shelly disse que naquele momento a agência de classificação de risco levantou preocupações com a trajetória das contas fiscais brasileiras, o baixo crescimento econômico e o cenário político adverso em Brasília. Desde abril, a diretora da Fitch destaca que alguns dos riscos apontados se agravaram, como a situação das contas fiscais. “Uma recuperação da economia pode ocorrer só em 2017.”

Questionada sobre a próxima revisão do rating soberano brasileiro, Shelly disse que as notas são normalmente avaliadas anualmente, mas que “as coisas são dinâmicas”. “Permanecemos em contato com autoridades do governo e podemos tomar qualquer ação necessária no rating que vermos necessidade”, afirmou.

Shelly afirmou que questões políticas no Brasil terão que ser levadas em conta na reavaliação do rating, bem como as perspectivas de crescimento, a trajetória da dívida pública e a consolidação das contas fiscais. A previsão para a Fitch é que a economia brasileira tenha contração de 1,5% em 2015, mas Shelly disse que o número deve ser revisado para baixo este mês. Além de indicadores de atividade sinalizando que a atividade econômica continua ruim, a confiança de investidores e consumidores permanece em patamares historicamente baixos, o que contribui para manter a economia desaquecida.

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Comparações – A relação dívida bruta/PIB do Brasil está na casa dos 60%, acima da mediana dos países com classificação “BBB”, que é de 40%, segundo a diretora da Fitch. Entre os emergentes, a Índia é o país com indicador mais alto, perto de 70%, enquanto a Rússia tem uma das menores, perto de 10%. Já os gastos com juros do Brasil como porcentual das receitas do governo estavam em mais de 15%, sendo que a mediana do grupo é de menos de 10%.

Outro ponto negativo do Brasil é a inflação, que vem se mantendo acima da meta do Banco Central e está em nível mais elevado que a mediana dos países classificados com o mesmo rating que o Brasil, a nota “BBB”. México, Peru, Filipinas e Colômbia têm índices de preços mais próximos da mediana, com inflação na casa dos 3% ao ano.

Além disso, o país tem problemas com o crescimento econômico. A fraca expansão do PIB brasileiro está abaixo da mediana de países com o mesmo rating, que crescem entre 2,5% e 3% ao ano. As taxas de expansão do PIB do México, Índia, Peru e Uruguai estão ou neste patamar ou acima, enquanto a Fitch prevê contração de 1,5% este ano no Brasil.

(Com Estadão Conteúdo)