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Primeira safra de milho do Brasil cairá a 34,9 mi t

SÃO PAULO, 27 Jan (Reuters) – A primeira safra de milho do Brasil em 2011/12 deverá somar 34,88 milhões de toneladas, projetou a consultoria AgRural nesta sexta-feira, ante 36,44 milhões de toneladas estimadas pela empresa em dezembro.

Segundo a AgRural, a seca no Sul do Brasil afetou a safra principal de milho, que tinha um potencial produtivo antes da estiagem de atingir 39 milhões de toneladas.

Em dezembro, a consultoria já havia reduzido sua previsão.

“As chuvas que atingiram algumas regiões do Sul do Brasil nos últimos dias foram bem-vindas, claro, mas vieram tarde para muitos produtores de milho que foram atingidos em cheio pela estiagem de dezembro e início de janeiro”, observou a AgRural em relatório.

Segundo a consultoria, mesmo com aumento de 10 por cento na área plantada, a expectativa é de que a produção no verão do país, com a seca, fique abaixo dos 35,9 milhões de toneladas colhidos no ciclo passado.

As maiores perdas foram registradas no Rio Grande do Sul. Pelos cálculos da AgRural, a produtividade do Estado deve ser 42 por cento inferior à do ano passado, caindo para 51 sacas por hectare, e com produção abaixo de 4 milhões de toneladas.

Na quinta-feira, a Emater estimou a safra do Rio Grande do Sul em 3 milhões de toneladas.

Para a consultoria, no Paraná a quebra não é tão acentuada quanto no Rio Grande do Sul, “porque as maiores áreas de produção do Estado não tiveram tantos problemas climáticos”. Mesmo assim, a AgRural prevê queda de 18 por cento na produtividade na comparação com a temporada passada.

O Paraná, que ampliou em cerca de 20 por cento o plantio, colherá praticamente a mesma safra registrada no ano passado, ou 6 milhões de toneladas, em função da produtividade menor.

Considerando as perdas totais registradas no Sul, incluindo soja, arroz, feijão e milho, os três Estados deixarão de colher mais de 10 milhões de toneladas na temporada 2011/12, com a soja e o milho respondendo por grande parte do prejuízo, estimado ao todo em quase 6 bilhões de reais.

A estiagem que atingiu o Sul do Brasil em 2011/12 é resultado do fenômeno climático La Niña, que deixa as precipitações escassas e irregulares na parte meridional do país, assim como na Argentina. A situação tem sustentado os preços futuros dos grãos no mercado de Chicago nas últimas semanas.

MINAS NA LIDERANÇA

Com os problemas no Paraná, Minas Gerais se consolidará na safra 2011/12 como o maior produtor de milho na primeira safra -mas os paranaenses, somando a primeira e a segunda safra, ainda deverão liderar a produção brasileira do cereal.

“Em Minas Gerais, por outro lado, as lavouras agradecem a diminuição das chuvas conforme se aproxima a colheita. Com sol e umidade na medida certa ao longo de quase todo o ciclo, os produtores mineiros esperam colher uma grande safra, com produtividade superior à do ano passado e produção acima de 7 milhões de toneladas”, informou a consultoria.

(Por Roberto Samora)