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Previsão do BC para captação externa pouco muda

Por Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa

Brasília – Apesar das medidas anunciadas recentemente pelo governo para conter a entrada de dólares no País, o Banco Central manteve praticamente inalterada a previsão de entrada de recursos por meio de empréstimos obtidos por bancos e empresas brasileiros no exterior.

O aumento do imposto sobre esses empréstimos foi a principal medida anunciada neste ano para conter aquilo que a presidente Dilma Rousseff classificou como “tsunami monetário”, com o objetivo de conter a valorização do real, que prejudica as exportações brasileiras.

A projeção de captação no exterior, com empréstimos ou lançamento de títulos, de médio e longo prazo passou de US$ 6,9 bilhões para US$ 6,4 bilhões. Ou seja, US$ 500 milhões a menos. Estão incluídas aí operações acima de 360 dias. Desde 2011, já havia taxação para captação acima de 720 dias com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%. Agora em março, o governo ampliou o alcance dessa alíquota para empréstimos de até cinco anos. A estimativa para captação abaixo de 360 dias, que já estava enquadrada na alíquota maior de IOF desde o ano passado, foi mantida: um resultado negativo de US$ 4 bilhões. Neste caso, a cifra negativa mostra que a dívida de curto prazo de empresas e bancos brasileiros vai diminuir nesse valor.

O BC também estima que o País vai fechar o ano com mais dólares na sua conta financeira, principalmente devido à saída líquida menor de investimentos de empresas brasileiras no exterior. A previsão de Investimentos Brasileiros no Exterior (IBD) caiu de US$ 5 bilhões para US$ 2 bilhões. O total de investimentos brasileiros no exterior (considerando também outros ativos, como aplicações financeiras) deve ficar em US$ 20,7 bilhões pela nova estimativa do BC, ante US$ 26,3 bilhões na projeção divulgada em dezembro.