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Prévia do IGP-M de julho indica inflação de 0,95%

Por Da Redação - 9 jul 2012, 16h42

Por Mônica Ciarelli

Rio – Os preços no atacado pressionaram a inflação na primeira prévia do Índice Geral de Preços (IGP-M) de julho, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com uma alta de 0,95%, o indicador superou as expectativas mais pessimistas do mercado financeiro e também a inflação registrada na primeira prévia de junho (0,68%).

“O resultado de hoje é um bom retrato do que se deve esperar para os próximos IGPs”, previu o coordenador de análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Segundo ele, os maiores focos de pressão não saem de cena até o final do julho. “O pico virá no IGP-M. A tendência é de uma desaceleração da alta a partir de agosto.”

O grande vilão da primeira prévia foi a soja, influenciada por problemas climáticos nos Estados Unidos, que devem prejudicar a safra. Só o complexo soja – que inclui grão, farelo, óleo bruto e óleo refinado – respondeu por 56% da alta de 1,25% registrada pelo índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal subgrupo do IGP-M. Em junho, o indicador variou apenas 0,64%.

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“A soja foi de longe a maior responsável pela mudança de patamar da inflação. O produto vinha desacelerando, mas os preços voltaram a subir com a seca nos Estados Unidos”, afirmou Quadros. Os dados da FGV mostram que a soja subiu 9% na primeira prévia de julho, bem acima dos 2,35% registrados no mesmo período do mês passado.

Com uma alta acumulada no ano de 54,3%, o preço da soja vem subindo desde o início de 2012, quando houve uma quebra de safra no Brasil e na Argentina. Para o coordenador, ainda é difícil prever até quando o efeito soja irá pressionar os IGPs.

Os combustíveis também ficaram mais caros no atacado, embora o reajuste de 7,83% anunciado pela Petrobras só tenha ocorrido no dia 22 de junho. Pelos cálculos da FGV, o item respondeu por 18% da inflação no atacado. Mas, alerta, “como não se espera um novo aumento da gasolina, essa pressão tende a sumir em agosto.”,

A pesquisa mostra que a gasolina ficou 7,83% mais cara na primeira prévia de julho, enquanto o óleo diesel teve alta de 3,94%. Outro fator que vinha ajudando na desaceleração da inflação no atacado, mas começa a perder força, é a redução nos preços dos automóveis pelos fabricantes.

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O coordenador lembra que as montadoras reduziram preços em junho. Agora, sem esse desconto, o item, que registrou deflação de 2,59% na primeira prévia do mês passado, fechou zerado. “Acabou esse efeito que ajudava a jogar para baixo a inflação”, lembrou.

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