Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Prévia da inflação continua a acelerar e bate 10,34% em doze meses

Alta generalizada dos preços fez com que o índice fosse o maior para outubro desde 1995 e tivesse a maior variação mensal desde fevereiro de 2016

Por Larissa Quintino Atualizado em 26 out 2021, 18h33 - Publicado em 26 out 2021, 09h25

A pressão nos preços, que corrói o poder de compra da população, continua a acelerar. Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, ficou em 1,20%. O percentual está acima da previsão do mercado, que apostava em 1% e também mais alto que o 1,14% registrado no mês anterior. Esta é a maior variação mensal desde fevereiro de 2016, quando a prévia do IPCA bateu 1,42%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice também é o maior para um mês de outubro desde 1995. Há 24 anos, o indicador marcou 1,34%. Em outubro do ano passado, a taxa foi de 0,94%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 8,30% e, em doze meses, de 10,34% – vale lembrar que a barreira dos dois dígitos foi rompida na prévia da inflação de setembro. A alta nos preços tem impacto direto na política monetária. Nesta quarta-feira, 27, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic. Mesmo com seguidos ajustes nos juros, a inflação continua subindo, logo, a aposta do mercado é que o Copom seja mais agressivo, aumentando 1,25 ponto percentual. Atualmente, a Selic está em 6,25% ao ano.

A prévia da inflação de outubro, mais uma vez, registra alta generalizada nos preços, com alta dos preços em oito dos nove grupos pesquisados, assim como registrado em setembro. O dos transportes, que tem o maior  peso no índice de inflação, foi o que mais subiu – o que pressiona ainda mais os preços. Dois fatores principais contribuíram com essa alta. O primeiro deles são os combustíveis. A gasolina, componente com o maior peso do IPCA-15, acelerou 1,85% e acumula 40,44% nos últimos 12 meses. Os demais combustíveis também apresentaram altas: etanol (3,20%), óleo diesel (2,89%) e gás veicular (0,36%). Outro grande peso no grupo de transportes foi o aumento no valor das passagens aéreas. Em outubro, os preços aceleraram 34,35%. A alta no valor das passagens aéreas está relacionada com o aumento de circulação das pessoas, com o avanço da vacinação. 

Apesar da alta do grupo de transportes, o maior impacto individual continua sendo da energia elétrica, com alta de 3,91%. A alta decorre, em grande medida, da vigência da bandeira tarifária Escassez Hídrica, em todo o período de referência do índice, com acréscimo de R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, o mais alto entre todas as bandeiras. Vale lembrar que o IPCA-15 capta preços das duas primeiras semanas do mês de referência e as duas últimas do mês anterior. Com a alta, o grupo de habitação registrou variação de 1,96% no mês.

O grupo de alimentação e bebidas acelerou em outubro, com alta de 1,38% contra 1,27% em relação ao mês anterior. Os preços das frutas subiram 6,41%. Houve altas também nos preços do tomate (23,15%), da batata inglesa (8,57%), do frango em pedaços (5,11%), do café moído (4,34%) do frango inteiro (4,20%) e do queijo (3,94%). A alta dos alimentos tem um peso maior no bolso das famílias mais pobres. O IPCA-15 mede a variação dos preços considerando famílias que recebem de um a quarenta salários mínimos.

Continua após a publicidade

Publicidade