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Presidente do BC diz por que não dá para baixar juros na marra

Ilan Goldfajn afirma em entrevista a VEJA desta semana que não existe nada sem juros no mundo

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, diz que não dá para obrigar as instituições financeiras a reduzir os juros das linhas de crédito ao consumidor na marra. Desde que assumiu o cargo, em junho de 2016, a taxa básica de juro da economia caiu de 14,25% para 6,75% em fevereiro. E ela pode cair ainda mais, já que a inflação veio menor que o mercado esperava. O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne nos dias 20 e 21 para decidir a nova taxa. Segundo o economista, a adoção de outras medidas pode acelerar o processo de redução do juro bancário, como a ampliação do cadastro positivo de crédito (espécie de lista de bons pagadores). A seguir, sua entrevista.

Não é possível cobrar dos bancos que repassem essa redução dos juros para os clientes? A gente sempre conversa, mas a ideia do voluntarismo, de derrubar à força, não dá certo. Isso já foi tentado uns anos atrás. Uma parte da crise que enfrentamos hoje, na qual os juros foram lá para cima, foi um pouco pela tentativa de fazer meio na marra. Não podemos cair nessa tentação de resolver tudo para amanhã, pois os problemas são de décadas.

O mercado já espera uma nova redução da taxa básica de juros. Há espaço para mais cortes? Na última reunião do Conselho de Política Monetária, o Copom, avaliamos que, caso o cenário básico sobre o qual o BC trabalha evoluísse conforme esperado, o mais adequado seria interromper o processo de queda de juros. Mas dissemos também que essa visão poderia se alterar e levar a uma queda adicional. Vamos aguardar para analisar e decidir na próxima reunião. O que posso dizer é que a inflação do começo do ano (0,61% no primeiro bimestre) surpreendeu para baixo a maioria dos analistas e também o Banco Central.

O senhor já disse que a população precisa saber que existe um custo para as compras parceladas no cartão de crédito. A ideia é acabar com o parcelamento sem juros? Não vamos acabar com o parcelamento sem juros. O mais importante é que todo mundo saiba, de forma bem transparente, que infelizmente não há nada sem juros neste mundo, ainda mais no Brasil, onde eles são altos. Acreditar que alguma coisa não tem juros é acreditar que ela não tem custo. O juro existe e aparece nas taxas do cartão de crédito, que são altíssimas. No fim, um está pagando pelo custo do outro.

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Comentários

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  1. Antonio Augusto Simoes

    Porque este senhor é economista e diretor do famigerado BANCO ITAÚ

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  2. news da hora

    Esse juros de 6,5 % é extorsivo para os meios produtivos do nosso País .

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  3. news da hora

    Tem que criar um imposto de 33 % sobre os lucros do bancos , e das megas empresas , que sempre estiverem no azul .

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  4. Obvio que “não” podem baixar na marra os juros pois como os grandes bancos manteriam seus lucros exorbitantes não é mesmo ? Basta ver que nos últimos 4 anos de crise os grandes bancos, no Brasil, tiveram lucros e mais lucros não fechando NENHUM TRIMESTRE NO NEGATIVO. Interessante não é mesmo caro Presidente do Banco Central envolvido ate o pescoço com tais bancos ?

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  5. Esse banqueiro

    Esse senhor não é nada mais do que representante dos bancos. Os bancos cobram taxas de agiotas mafiosos e esse senhor não toma nenhuma atitude para parar o sangramento da população brasileira. Ele se mostra o brasileiro bonzinho com os bancos e desce

    Esse senhor é um digno representante dos bancos. As taxas de juros cobradas pelos bancos lembram os agiotas a serviço das máfias. A população endividada cai na mão dessas instituições e são sangradas até terem sua estrutura familiar e projetos de vida destruídos. Prá piorar esse senhor é um defensor intransigente da famigerada reforma da previdência que penaliza os vulneráveis, da CLT e do Serviço Público, enquanto faz vista grossa às aposentadorias de políticos, magistrados e membros das forças armadas.

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  6. Carlos Aurélio

    Gerson T, corretíssimo!

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