‘Preservem o sucesso do Pix’, diz Flávio Bolsonaro em audiência sobre tarifaço
Senador falou sobre Pix, mas falas voltaram para tom político, o que não agradou integrantes do USTR
O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pediu às autoridades americanas que preservem o Pix durante a audiência pública que discutiu o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, realizada nesta terça-feira, 7.
“Preservem o sucesso do Pix. O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, foi criado durante o governo Bolsonaro. O Pix não é um problema a ser resolvido; é uma solução”, afirmou o senador.
Segundo Flávio Bolsonaro, o sistema ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros, especialmente os mais pobres, à economia formal.
“Esse objetivo também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas pelo Pix foi pago em dinheiro emitido por bancos dos Estados Unidos, que continuaram crescendo com a ampla adoção do Pix”, disse.
O senador também argumentou que as empresas americanas oferecem serviços complementares, e não concorrentes, ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Como os americanos receberam o discurso de Flávio Bolsonaro?
Presente na audiência, o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, afirmou que o discurso de Flávio Bolsonaro destoou dos demais participantes por priorizar temas políticos, em vez de argumentos técnicos.
Segundo Pessoa, enquanto os demais painéis se concentraram em aspectos econômicos e comerciais relacionados às tarifas, o senador abordou temas como as eleições presidenciais, casos de corrupção e os conflitos envolvendo a família Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação do professor, essa abordagem causou desconforto entre os integrantes do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), já que a audiência tinha caráter eminentemente técnico.
“A sensação era de que eles estavam ouvindo o Flávio Bolsonaro apenas por ele ser um aliado de Donald Trump. Foi o famoso caso de: ‘Estou ouvindo você porque meu amigo ou meu chefe pediu e, infelizmente, preciso respeitar'”, afirmou Gustavo Pessoa.







