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Preocupações sobre Espanha persistem após resgate

Juros dos títulos do país passam a 6,43%, após fechamento em 6,19% na sexta-feira; mercado mostra apreensão com impacto da ajuda europeia na dívida

Por Da Redação 11 jun 2012, 12h30

Madri voltou a ficar sob pressão nesta segunda-feira no mercado de títulos, após um primeiro sinal positivo das bolsas ao plano de resgate europeu aos bancos espanhóis. O foco de preocupação dos investidores é a dificuldade de estimar qual será o verdadeiro impacto da ajuda europeia na dívida pública de um país em recessão e imerso em um processo austero de ajuste fiscal.

Após relaxar pela manhã, os juros pagos pela emissão de títulos com vencimento para dez anos voltou a subir pela tarde. Às 12H06 GMT (9H06 de Brasília) o rendimento espanhol era de 6,430%, contra os 6,192% apresentados no fechamento de sexta-feira.

Segundo analistas, os mercados deram pouca ou nenhuma importância ao comunicado conjunto do Ministério de Economia e do Tesouro da Espanha, que reafirmou nesta segunda-feira os compromissos do país com o programa de reformas estruturais e redução do déficit público, além de sua intenção de continuar financiando-se nos mercados.

Ao anunciar no sábado a ajuda aos bancos espanhóis, na forma de um crédito de até 100 bilhões de euros, o Eurogrupo declarou estar “confiante de que a Espanha cumpriria seus compromissos de redução do déficit e de reformas estruturais para corrigir os desequilíbrios macroeconômicos”.

Aprofundamento da crise – Em plena recessão e golpeado por um desemprego recorde de 24,44%, o país esforça-se para reduzir em 2012 seu déficit público a 5,3% do PIB, após apresentar forte desvio no ano anterior, que levou o déficit para 8,9%.

O Tesouro espanhol afirmou nesta segunda-feira que continuará com seu programa de financiamento, tendo coberto após a última emissão da dívida, na última quinta-feira, 56,8% de sua meta para este ano, de 86 bilhões de euros.

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As bolsas europeias abriram a segunda-feira com fortes altas, encabeçadas por Madri, que chegou a ganhar 5,93%. Contudo, horas depois, a euforia caía e o índice espanhol passou a registrar perdas.

Às 13:25 (horário de Brasília), o Ibex 35 cedia 0,54%, para 6.516 pontos. A ação do Bankia, terceira entidade espanhola por ativos, cuja nacionalização precipitou o resgate dos bancos do país, subia 1,85%, após chegar a subir 20% horas antes. Na Ásia, os mercados fecharam em alta, estimulados pelo plano de ajuda ao setor financeiro espanhol.

Alerta – Líderes europeus alertaram nesta segunda-feira sobre as implicações que a ajuda à Espanha deve gerar para a dívida pública do país. “A ajuda à Espanha para recapitalizar seus bancos terá evidentemente condições”, afirmou o vice-presidente da Comissão Europeia, o espanhol Joaquín Almunia, em referência à vigília da ‘troika’ – formada por União Europeia, Banco Central Europeu e FMI – ao bom uso dos fundos.

“O FMI estará acompanhando tudo o que acontecer a partir de agora e também estará na troika”, disse Almunia em declarações à rádio espanhola Cadena Ser. “Eles virão aqui comprovar que está sendo bem utilizado o dinheiro dos cidadãos, tanto dos europeus como dos espanhóis”, completou. “Os Estados membros são os que colocam o dinheiro e todo empréstimo tem obrigações e compromissos por parte de quem o recebe”, disse Almunia.

Pouco antes, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou que a troika se limitaria a supervisionar a reestruturação do setor bancário espanhol.

Já o porta-voz do comissário europeu para Assuntos Monetários (Olli Rehn), Amadeu Altafaj, disse à imprensa em Bruxelas que o empréstimo à Espanha referente ao plano de ajuda aos bancos terá “evidentemente” um impacto na dívida espanhola. “Haverá impacto porque são empréstimos e terão que ser reembolsados”, declarou Altafaj.

(com Agence France-Presse)

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