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Com alta do petróleo, preços na indústria crescem 2,16% em outubro

Commodity mais cara, mercado internacional e desvalorização do real puxaram a maior alta do indicador desde abril

Por da Redação Atualizado em 2 dez 2021, 13h22 - Publicado em 1 dez 2021, 10h05

A inflação da indústria aumentou 2,16% em outubro na comparação com setembro, segundo dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta quarta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  A alta de outubro é a maior desde abril, quando registrou 2,19%, e marca uma série de mais de dois anos de inflação na indústria. A última variação negativa do IPP foi em agosto de 2019.

Com o resultado, os preços na indústria acumulam crescimento de 26,57% em 2021, o maior índice em dez meses desde o início da série histórica, em 2014. Já o acumulado nos últimos 12 meses foi de 28,83%, e vem reduzindo desde junho, quando era de 36,78%.

Conhecido como inflação na “porta da fábrica”, o IPP mede o preço dos produtos sem impostos e frete. Dentre as 24 atividades da indústria investigadas, 22 registraram alta em outubro, destaque para refino de petróleo e produtos de álcool, que apresentou a maior variação (7,14%) e também a maior influência no resultado geral (0,73 ponto percentual dos 2,16%). O setor apresenta aceleração nos preços desde maio.

“Essa taxa é reflexo da variação do óleo bruto de petróleo, cujo preço vem aumentando no mercado internacional”, explica o gerente da pesquisa, Alexandre Brandão. Vale lembrar que o petróleo é cotado em dólar e, além da alta no mercado internacional, a desvalorização do real também pesa. O acumulado no ano da atividade é de 60,38%, a maior taxa observada para outubro desde o começo da série histórica, iniciada em 2014.

A alta na atividade de outros produtos químicos (6,38%, a segunda maior) também exerceu forte influência no resultado do mês. O resultado está ligado principalmente aos preços internacionais e ao custo de diversas matérias-primas importadas ou não, como, por exemplo, a nafta. Além disso, a demanda da indústria por produtos químicos está aquecida. “É um setor diretamente afetado pelo refino de petróleo. Então, a alta no refino acaba puxando o resultado de outros produtos químicos”, ressalta Brandão.

Outra razão para o aumento nesse setor são os preços de adubos ou fertilizantes, cujos produtos nacionais acompanham os preços internacionais, majorados por conta da depreciação cambial, uma vez que o mercado depende em grande parte de importações. Outros dois setores tiveram altas importantes em outubro: borracha e plástico (3,45%) e outros equipamentos de transporte (3,44%).

Já alimentos cresceu 0,75%. Chamam a atenção a alta no preço do açúcar VHP e das carnes de bovinos frescas ou refrigeradas. A desvalorização do real frente ao dólar ajuda a explicar o índice. “No caso da carne, alguns frigoríficos apontaram uma maior demanda, inclusive com a retomada das exportações”, pondera o gerente da pesquisa. “Quanto ao açúcar, a restrição de oferta pressiona ainda mais os preços”, conclui.

Também contribui para a alta no setor os preços do café torrado e moído, pressionados pelo inverno mais rigoroso. Em 2021, a atividade de alimentos apresentou apenas um mês de queda, em junho (-0,14%). Por outro lado, outubro é a menor variação positiva do ano até aqui. A atividade acumula 15,68% da alta nos preços da indústria.

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