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Preços administrados estão entre vilões da inflação

Itens monitorados por contratos responderam por 17% da alta do IPCA no acumulado de 12 meses até setembro em meio aos reajustes da conta de luz

Por Da Redação 22 out 2014, 10h50

Apesar do congelamento dos preços da gasolina e das tarifas de transporte, as despesas com preços administrados e bens duráveis estão entre os vilões da inflação este ano. Um levantamento do Bradesco mostra que os itens monitorados por contrato – como os de energia elétrica, gás e combustível – respondem por 17% da alta de 6,75% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no acumulado de doze meses até setembro, enquanto os bens duráveis respondem por 6,3% da alta do indicador no período. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira pelo jornal Valor Econômico.

Dados da Tendência Consultoria apontam que os preços administrados adicionaram 0,9 ponto porcentual ao IPCA entre janeiro e setembro de 2014. No mesmo período de 2013, quando houve redução das tarifas de energia para a população e as indústrias, a contribuição foi nula. A economista Adriana Molinari explica que a contribuição dos itens monitorados por contrato para a inflação aumentou consideravelmente entre 2013 e 2014 devido aos reajustes nas contas de luz. As despesas com energia elétrica subiram 13%, o que corresponde a cerca de 45% da alta de 3,7% dos preços administrados no acumulado do ano.

Já os cálculos do Bradesco mostram que bens duráveis acrescentaram 0,3 ponto porcentual ao IPCA entre janeiro e setembro de 2014, depois de um acréscimo de 0,23 em igual período de 2013. A economista Miryã Bast afirma que, mesmo com a desaceleração da produção e das vendas, o fim das desonerações do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, móveis e produtos da linha branca e a desvalorização cambial de 18% acumulada desde 2013 corroboram a maior contribuição do grupo para a inflação.

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Na ponta inversa estão os alimentos. Alimentos consumidos em domicílio responderam por 15,9% da alta do IPCA entre janeiro e setembro de 2014, de acordo com a Tendências Consultoria. Nos últimos dois anos, a alta ficou acima de 20% devido à redução da oferta causada pela seca no meio-oeste dos Estados Unidos em 2012 e pelo excesso de chuvas em 2013.

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