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Poupança tem maior saída de recursos em 20 anos

Caderneta da poupança perdeu 38,5 bilhões de reais no primeiro semestre de 2015, o maior volume da série histórica iniciada em 1995

Por Da Redação 6 jul 2015, 16h14

A quantia de saques da poupança superou a de depósitos em junho em 6,26 bilhões reais, informou o Banco Central nesta segunda-feira. Na primeira metade de 2015, o total resgatado dessa aplicação foi de 38,54 bilhões de reais. Nos dois casos, são os maiores volumes dos últimos vinte anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em janeiro de 1995.

Até então, o pior junho para a caderneta havia sido em 1999. Na ocasião, o resultado ficou negativo em 1,4 bilhão de reais. O resultado do primeiro semestre também é significativo, já que há dez anos, desde 2005, não se via um volume de resgates maior do que o de aplicações em todos os meses da primeira metade de um ano. Em janeiro, o resultado ficou negativo em 5,5 bilhões de reais e, em fevereiro, em 6,3 bilhões de reais.

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Em março, os resgates superaram os depósitos em 11,4 bilhões de reais e, em abril, em 5,8 bilhões de reais. Em maio, o saldo ficou no vermelho em 3,2 bilhões de reais. O resultado de março foi, portanto, o pior da série histórica do BC para um mês e o de junho, o terceiro pior, atrás também do de fevereiro.

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Com o resultado de junho, o saldo total da poupança ficou em 646,56 bilhões de reais, já incluindo os rendimentos do período, no valor de 4,05 bilhões de reais. Os depósitos na caderneta somaram 162,85 bilhões de reais no mês passado, enquanto as retiradas foram de 169,11 bilhões de reais.

A situação de junho só não foi pior porque, no último dia do mês, a quantidade de aplicações foi 3,84 bilhões de reais maior do que o das retiradas. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em 10,10 bilhões de reais em junho. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários.

Remuneração – O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar, outros investimentos mais atrativos acabam ofuscando o desempenho da caderneta. Soma-se a isso o fato de há três anos a forma de remuneração da aplicação ter mudado. Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano, passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR.

Compulsório – Devido à sangria na poupança vista desde o início do ano, o setor imobiliário passou a reclamar de falta de recursos para financiamentos de casas e apartamentos. Para minimizar esse quadro, o BC decidiu liberar os bancos para usar 25 bilhões de reais dos depósitos da poupança que são obrigados a manter na instituição para desembolsos nas operações de financiamento habitacional e rural. A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão que reúne o BC e os ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Foi reduzida a obrigatoriedade de guardar uma parte dos depósitos da caderneta no BC desde que os recursos fossem usados para financiamento habitacional (até 22,5 bilhões de reais) e empréstimos a produtores rurais (outros 2,5 bilhões de reais).

(Com Estadão Conteúdo)

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