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Poupança tem captação recorde mas ainda perde para a inflação

No acumulado do ano, saldo líquido ficou positivo em 18,822 bilhões de reais

A caderneta de poupança registrou captação líquida (o resultado de depósitos menos resgates) de 5,625 bilhões de reais em maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira. Com isso, no acumulado dos cinco primeiros meses de 2013, a captação alcançou 18,822 bilhões de reais – alta de 81% e valor recorde para o período. De janeiro a maio de 2012, a captação havia sido de 10,369 bilhões de reais.

Os depósitos no mês passado somaram 119,324 bilhões de reais, enquanto os saques totalizaram 113,699 bilhões de reais. O volume de ingresso líquido na poupança em maio ficou 10,17% abaixo do verificado em maio e 2012, quando houve um recorde de 6,262 bilhões de reais da série histórica do BC, iniciada em 1995. No acumulado do ano, os depósitos somaram 555,131 bilhões de reais e os saques, 536,308 bilhões de reais.

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Há pouco mais de um ano, o governo alterou as regras de rentabilidade da poupança, determinando que a rentabilidade da aplicação ficasse atrelada à taxa básica de juros, a Selic. A medida foi tomada para evitar que outros investimentos de renda fixa se tornassem muito menos atrativos que a caderneta devido à tendência de queda da Selic. Os depósitos feitos a partir de maio de 2012 passaram a render o equivalente a 70% da Selic mais Taxa Referencial (atualmente zerada).

Poupança perde para a inflação – A rentabilidade da caderneta subiu para 5,6% ao ano após o último aumento da Selic (que elevou a taxa para 8% no fim de maio). Mesmo assim, o rendimento ainda figura abaixo da inflação acumulada nos últimos 12 meses, segundo o IPCA-15, que é a prévia calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na apuração de maio, a inflação de 12 meses ficou em 6,46%.

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Os ganhos reduzidos, no entanto, continuam atraindo poupadores. Isso ocorre porque, ainda que fundos de renda fixa e títulos do Tesouro (ou Tesouro Direto) ganhem da caderneta em rentabilidade, sua atratividade é mitigada pelo fato de cobrarem taxas de administração. Além disso, investidores de fundos e títulos estão sujeitos à cobrança de alíquotas do Imposto de Renda (IR). Tais aplicações compensam para o investidor apenas se forem mantidas por médio e longo prazo, já que a tabela do IR é regressiva – ou seja, recua ano a ano. Para investidores com o horizonte de curto prazo, a poupança é a única opção que permite resgate diário, com isenção de IR e sem qualquer tipo de taxa.