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Poupança rende menos e poupador busca alternativas

A rentabilidade de apenas 0,6% no ano passado espremeu o pequeno investidor. Com o retorno da caderneta em queda há seis anos, é possível encontrar opções com baixo risco que não fazem ninguém perder o sono

Por Ligia Tuon 15 jan 2013, 17h14

O ano de 2012 foi, novamente, ruim para os que buscam multiplicar o dinheiro com aplicações na caderneta de poupança. Segundo a consultoria Economatica, o investimento preferido dos brasileiros teve o menor ganho nominal dos últimos 46 anos. O dado foi levantado na tarde da última quinta-feira, depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,84% em 2012. Mesmo com a inflação em 12 meses menor que a do ano anterior, de 6,5%, os poupadores que depositaram na caderneta tiveram ganho real de apenas 0,6% no acumulado do ano – a rentabilidade da poupança é corrigida pela Taxa Referencial (TR) mais um juro mensal de 0,5% ou 6,17% ao ano, de acordo com a regra antiga (aquela que engloba a maior parte dos investidores).

O retorno da caderneta vem caindo para ganhos modestos há seis anos, apesar de ainda ser um porto seguro. Atualmente, a situação desfavorável para os poupadores se repete também em praticamente todos os investimentos conservadores. A queda da taxa básica de juros (a Selic), que atingiu a mínima histórica de 7,25% ao ano em 2012, fez com que aplicações de renda fixa com rentabilidade acima da inflação virassem artigo raro. E, para 2013, as perspectivas não são animadoras: especialistas apostam que a Selic continuará baixa, com possibilidade de novos cortes, e será acompanhada de uma inflação que deve ficar em torno de 5,5%. Esse cenário significa, na maior parte dos casos, rentabilidade próxima a zero ou até negativa – a temível perda do valor principal do investimento. “A taxa real do investimento é calculada com a taxa de juros menos a inflação no período. Há algum tempo, dificilmente, essa diferença perdia para a inflação. Mas, agora, o investidor deve tomar cuidado para que a operação não prejudique seu patrimônio”, diz Alexsandra Camelo, diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Tradicional, mas nem tanto – Para o poupador acostumado com a simplicidade da poupança, que tem liberdade diária para saques e depósitos e não cobra imposto de renda, outras opções de investimento exigem um pouco mais de planejamento. Nos últimos anos, os títulos públicos ganharam espaço com a facilidade para a compra e a venda – além, é claro, de ser uma alternativa para ganhos acima da inflação sobretudo se os papéis forem atrelados aos índices como IPCA ou IGP-M. De acordo com o Tesouro Direto, um terço dos títulos da dívida do governo estão com investidores que pagam menos de 1 000 reais. Para comprá-los, o aplicador deve fazer cadastro em uma corretora e os papéis podem ser adquiridos por meio de um intermediário ou diretamente no site do Tesouro Direto. Dependendo da corretora, a taxa de administração pode ser gratuita. Já a rentabilidade varia de acordo com o título e o preço da compra – as opções são os papéis prefixados (LTN) e os indexados à Selic (LFT), ao IGP-M (NTN-C) ou ao IPCA (NTN-B) para a compra, sempre listadas. Se o investidor permanecer até o vencimento do título, receberá o valor pactuado no momento da compra. Uma ressalva importante, no entanto, é que até mesmo o rendimento desses últimos títulos vem caindo. “Se há dois anos era possível comprar um papel que rendia a variação do IPCA mais 5% ou 6%, agora, essa taxa está em torno de 3%”, afirma Rodrigo Menon, sócio da Beta Investimentos. Segundo o especialista, houve aumento na procura pelo Tesouro Direto depois que a inflação começou a subir em 2010. “Não é nenhum milagre, mas dá, pelo menos, para minimizar o impacto da inflação no investimento”, completa.

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Mais próximo dos grandes – Apesar de a palavra risco provocar frio na espinha de boa parte das pessoas, há opções que, embora não sejam novidade, deixaram o fim da fila dos investimentos para quem não tem mais que 1 000 reais para aplicar. Uma alternativa que traz segurança são os títulos ligados ao mercado imobiliário – os imóveis sempre foram considerados firmes para enfrentar períodos de inflação alta e descontrolada. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), apesar de serem direcionados a investidores qualificados (cada título exige aplicação mínima em torno de 300 mil reais), vêm ganhando espaço entre pequenos investidores, segundo especialistas. A opção para este nicho são os fundos que reúnem diversos títulos. O ponto positivo desses produtos, segundo Menon, é que, além de exigirem aporte inicial baixo (a partir de 1 mil reais), não penalizam ganhos de quem investe pouco. Há opções cuja taxa de administração não passa de 1%, aponta o especialista. A taxa de administração e a rentabilidade são iguais tanto para o pequeno investidor como para o grande.

Um pequeno um pouco mais ousado – Os fundos multimercados são velhos conhecidos dos investidores qualificados, mas ganham cada vez mais adeptos entre os pequenos. São de fundos compostos por cotas de vários outros fundos, de renda fixa ou variável e diferentes estratégias de gestão – a taxa média de administração dessa categoria ficou em 1,8% ao ano em 2012, segundo Anbima. A diretora da associação, Alexsandra Camelo, ressalta, no entanto, que o investidor deve saber qual é a estratégia do fundo em que vai aplicar seu dinheiro. “É preciso ter noção do que o gestor vai fazer para atingir resultados e se essa estratégia combina com o motivo pelo qual a pessoa quer investir”, diz ela. Nesse momento, saber qual é o prazo da aplicação e qual será a finalidade do dinheiro investido é importante para não ser surpreendido, aponta a especialista.

Como esses fundos são produtos de renda variável, é importante também que o investidor saiba que corre risco de não alcançar a rentabilidade desejada, apesar das projeções positivas de especialistas. É por isso que diversificar tipos de investimentos é tão importante. “As chances de errar são menores quando o investidor divide seu dinheiro em mais de um tipo de fundo”, aconselha José Hugo Laloni, diretor de produtos da LLA Investimentos.

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