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Pouca liquidez e espera de ação de BCs puxam juro longo

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Em uma quarta-feira de agenda relativamente vazia e de feriado nos Estados Unidos, o mercado de juros futuros mostrou liquidez reduzida e as taxas curtas tiveram leve viés de alta, enquanto as longas acumularam um pouco mais de prêmios. No caso do trecho final da curva a termo, dois fatores podem ajudar a explicar o movimento de alta: a continuidade da valorização do dólar após as declarações do diretor do Banco Central, Aldo Mendes, e a expectativa de que Banco Central Europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE) anunciem, na quinta-feira, algo para estimular a economia.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (159.660 contratos) estava em 7,62%, de 7,60% no ajuste. A taxa projetada pelo DI janeiro de 2014, com movimento de 228.960 contratos, subia a 7,88%, de 7,82% ontem. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (38.950 contratos) indicava 9,33%, de 9,26% na véspera, enquanto o DI janeiro de 2021 (1.120 contratos) subia para 9,98%, de 9,92% no ajuste.

No caso específico do Banco Central Europeu (BCE), a expectativa majoritária é que a instituição promova novo corte de juros, de 1% para 0,75%, no encontro que termina na quinta-feira. E os dados de atividade mais recentes da região sugerem a existência de espaço para estímulos. Na zona do euro, o índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) composto final subiu para 46,4 em junho, de 46,0 em maio. No Reino Unido, o PMI do setor de serviços caiu para 51,3 este mês, de 53,3 em maio. O número de junho, apesar de ainda indicar expansão, é o mais fraco em oito meses.

No âmbito doméstico, porém, o mesmo dado mostrou recuperação, mas não teve força para alterar o rumo das taxas futuras. A atividade do setor de serviços no Brasil medida pelo mesmo PMI subiu para 53,0 em junho, de 49,7 em maio, informou o HSBC. Mas o economista-chefe do HSBC Bank Brasil, André Loes, disse que é cedo para comemorar. “Ainda que o PMI de serviços tenha voltado a ficar acima de 50, os resultados do segundo trimestre como um todo apontam para uma redução da atividade econômica no setor de serviços, aumentando a pressão para baixo sobre o crescimento em 2012”, observou.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por sua vez, segue confiante na recuperação da economia. Ao participar de evento em São Paulo, ele disse que é possível um crescimento de 3,5% a 4% do PIB anualizado no segundo semestre de 2012. No entanto, não citou um patamar mínimo de crescimento para o ano todo e já começou a falar dos próximos anos. Em sua visão, a economia brasileira tem condições de voltar a crescer até 5% entre 2013 e 2014. O ministro também endossou a avaliação feita na terça-feira por Aldo Mendes sobre o câmbio. De acordo com Mantega, o real vai continuar desvalorizado e que beneficiará a produção brasileira.