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Porto da MMX será agora controlado por Trafigura e Mubadala

Acordo envolve US$ 996 milhões e é a mais nova tentativa do empresário Eike Batista de salvar o grupo EBX

Por Da Redação - 15 out 2013, 14h41

Depois de mais de um mês de negociações, o empresário Eike Batista cedeu o controle de seu porto de minério de ferro para a trading holandesa Trafigura Beheer e para o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, em um acordo de 996 milhões de dólares que tira dívidas de suas mãos e assegura novo investimento no porto.

Pelos termos do acordo, a Trafigura e o Mubadala , o maior credor individual de Eike, terão uma participação de 65% na MMX Porto Sudeste, o restante continua com a MMX. O Mubadala também detém uma participação na EBX.

Trafigura e Mubadala planejam investir 400 milhões de dólares na empresa para financiar a conclusão do porto e do terminal de minério de ferro e irão assumir 1,3 bilhão de reais de dívida da MMX Sudeste Mineração, unidade MMX ligada ao projeto do porto, segundo comunicado da mineradora divulgado na noite de segunda-feira. As empresas também oferecerão uma linha de financiamento de 100 milhões de dólares para a MMX Sudeste Mineração.

O porto de minério de ferro, que está localizado no Sudeste do estado do Rio de Janeiro, terá inicialmente capacidade para transportar até 50 milhões de toneladas métricas do insumo por ano. A empresa tem acordos de transporte de minério com a siderúrgica Usiminas. Seu início de operação está programado para meados de 2014, mas ainda depende de aprovação regulatória e da conclusão de um plano de refinanciamento da dívida. A MMX informou que fará uma teleconferência com investidores assim que possível, mas não quis dar uma data exata.

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Este é o esforço mais recente do empresário para evitar o colapso do grupo EBX e vem em meio a negociações com os credores da petrolífera OGX, que não pagou juros de 44,5 milhões de dólares de títulos neste mês e corre o risco de ir à falência dentro de semanas.

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Em julho, Eike cedeu o controle da empresa de energia MPX para o grupo alemão E.ON. Na sequência a companhia mudou de nome para Eneva. Em agosto, o empresário fechou acordo para vender a LLX Logística para a empresa de investimentos norte-americana EIG Global Energy Partners por 559 milhões de dólares.

Na segunda-feira a OSX, estaleiro do grupo de Eike, anunciou um acordo para o adiamento do empréstimo-ponte no valor de 518 milhões de reais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Agora, a empresa batalha para convencer a Caixa Econômica a adiar dívidas no valor de 400 milhões de reais com vencimento no dia 19. Nesta semana vencerão dívidas no valor de 1 bilhão de reais da OSX.

O novo acordo prevê mais 30 dias para o pagamento, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Esta é a segunda vez que o BNDES adia o pagamento do empréstimo, firmado em 2011. Executivos da OSX já haviam informado que a empresa não tinha caixa para honrar o empréstimo.

(com Estadão Conteúdo e agência Reuters)

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