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Por que empresas como Unilever e Ben & Jerry’s estão boicotando o Facebook

Movimento criado por grupos civis de combate à desinformação está pressionando as corporações que anunciam na rede social

Por Diego Gimenes - Atualizado em 26 jun 2020, 18h04 - Publicado em 26 jun 2020, 17h48

Nos Estados Unidos, a Unilever, gigante de bens de consumo e proprietária de marcas como Dove, Omo e Kibon, anunciou nesta sexta-feira, 26, que suspenderá a veiculação de todos os seus anúncios no Facebook, Instagram e Twitter até o fim de 2020. A decisão vem após a criação de um grande movimento por grupos civis que pede às marcas que retirem os gastos de anúncios no Facebook em protesto às políticas da empresa em torno de discursos de ódio e da desinformação. A alegação é de que a gigante de mídia não fez progressos suficientes para lidar com as postagens ofensivas. “Com base na polarização atual e na eleição que veremos nos EUA, é preciso haver muito mais aplicação na área do discurso de ódio. As complexidades do cenário cultural colocaram uma responsabilidade renovada nas marcas de aprender, responder e agir para impulsionar um ecossistema digital confiável e seguro. Continuar a anunciar nessas plataformas neste momento não agregaria valor às pessoas e à sociedade”, disse a empresa. As ações do Facebook caíram quase 8% no mercado americano nesta sexta-feira, 26.

A Unilever é uma das maiores anunciantes do mundo e afirma que mudará o destino de suas verbas nos EUA para outros meios de comunicação. Estima-se que a empresa tenha um orçamento anual para publicidade de quase 8 bilhões de dólares (44 bilhões de reais) e que destinou o equivalente a 42,3 milhões de dólares (231 milhões de reais) em anúncios no Facebook nos EUA em 2019, de acordo com a empresa de pesquisa Pathmatics Inc. Com o anúncio, a Unilever se junta a um movimento que engloba empresas como a Verizon, gigante americana de telecomunicações, e a fabricante de sorvetes Ben & Jerry’s, que fizeram um comunicado semelhante na última quinta-feira, 25. “Apelamos ao Facebook, Inc. para que tome as ações claras e inequívocas exigidas pela campanha para impedir que sua plataforma seja usada para espalhar e ampliar o racismo e o ódio”, disse a Ben & Jerry’s em nota.

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O Twitter não foi alvo da convocação de boicote do grupo de direitos civis, mas também foi incluído na lista pela Unilever. Vale lembrar que em maio a rede social classificou dois tweets de Donald Trump como “potencialmente enganosos”, o que motivou o presidente americano a baixar um decreto que buscava diminuir a proteção às grandes redes. À época, Mark Zuckerberg chegou a afirmar que as as ações empreendidas pelo Twitter, comandado por Jack Dorsey, são diametralmente opostas das executadas pelo Facebook. “Acho que temos uma política diferente em relação ao Twitter quanto a isso. Eu não acho que o Facebook ou as plataformas da internet, em geral, devam ser árbitros da verdade. Eu acho que é uma linha perigosa a seguir, em termos de decidir o que é verdade e o que não é”, disse.

As tensões e discussões sobre o combate a discursos de ódio aumentaram com os protestos generalizados dos EUA pela morte de George Floyd, mas muitas preocupações com as plataformas acontecem há anos. A Anti-Defamation League, por exemplo, há muito pressiona o Facebook por políticas mais eficazes no combate à desinformação. Motivos para as empresas aderirem aos boicotes são os mais diversos, algumas veem a chance de obter atenção positiva sobre o assunto, outras estão preocupadas com a associação de sua marca com um conteúdo controverso e algumas ainda veem isso com uma oportunidade de dar um golpe nas poderosas plataformas digitais. Fato é que o Facebook tenta reverter a situação e vem buscando mostrar à sociedade os seus esforços para a remoção do discurso de ódio em sua rede.

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