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Por que as bolsas caem em todo mundo mesmo com crescimento do PIB chinês

Crescimento acima do esperado da segunda maior economia não foi suficiente para segurar mercados porque houve queda nas vendas do varejo no país asiático

Por Luisa Purchio - Atualizado em 16 jul 2020, 12h34 - Publicado em 16 jul 2020, 12h17

A China, segunda maior economia do mundo, divulgou dados que, à primeira vista, teriam tudo para animar o mercado e mostrar que há saída para crise do coronavírus e ela está acontecendo. Nesta quinta-feira, 15, o país reportou crescimento de 3,2% do PIB do segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, indicando desenvolvimento passada a fase mais aguda por lá, registrada no primeiro trimestre. Também foram reportados queda no desemprego e aumento da atividade industrial, todos acima do esperado. O que seria um indicativo de dia de altas em mercados de capitais. Entretanto, bolsas de todo mundo operam em queda baseadas em um único indicador chinês que veio menor que esperado. As vendas no varejo por lá caíram 1,8%, enquanto o mercado esperava um crescimento de 0,3%. Como a China é o maior mercado consumidor do mundo, esse índice foi suficiente para desanimar investidores. Apesar de melhora no estado geral da economia, o número aponta que ainda há efeitos, o que acendeu o sinal de alerta nos mercados.

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Na manhã dessa quinta-feira 16, as bolsas asiáticas fecharam em baixa, impactadas também pelo acirramento da crise geopolítica entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. As bolsas chinesas viveram o terceiro dia de queda consecutiva: o Xangai teve a maior derrocada desde o começo de fevereiro e encerrou o pregão em -4,5%, enquanto o Shenzhen composto teve baixa de 5,2%.  O mesmo aconteceu nos Estados Unidos e o Dow Jones operava em baixa de 0,42% por volta das 12h15, enquanto o S&P 500 estava em queda de 0,66%. Como não poderia deixar de ser, no Brasil, o Ibovespa repercutiu os movimentos, mas com mais perdas. Altamente dependente do mercado chinês, a bolsa brasileira caía 1,04% no horário, a 100.734 pontos. Estre as ações que puxavam o Ibovespa para baixo, estavam a Vale AS, a Ultrapar Participações AS e a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA Usiminas, empresas de minério com forte relação comercial com a China. O dólar comercial, por sua vez, caia 0,51%, a 5,3573 reais.

Copo meio cheio

Apesar dos dados do varejo virem aquém do esperado e terem sido suficientes para espalhar pessimismo nesta quinta-feira, os outros indicadores mostram uma rápida recuperação da crise causada pelo novo coronavírus. A seu favor pesa o fato de a população ser rigidamente controlada pelo governo, o que favorece o estancamento da pandemia. Por outro lado, a estratégia chinesa de manter uma balança comercial favorável por meio de forte expansão internacional é seu grande trunfo e já em 2008 foi responsável pelo crescimento do país durante a crise do sub-prime.

Enquanto nações ocidentais sucumbiam e bancos americanos fechavam suas portas, o gigante asiático, que mais produz, comprou muitos títulos americanos, o que o ajudou a crescer e ao mesmo tempo contribuiu com a economia americana e global. Agora, na crise da Covid-19, mais uma vez a China se expande e seu impacto nas bolsas globais mostram que sua relevância aumenta. “Esse impacto continuará crescendo cada vez mais porque os fundamentos da economia chinesa são mais sólidos que da economia americana”, diz Gilmar Masiero, professor da FEA-USP e coordenador do Programa de Estudos Asiáticos. “Enquanto os Estados Unidos são devedores do mundo, a China é credora. Os Estados Unidos continuam com a economia internacional decadente, enquanto os chineses tiveram uma expansão brutal”, diz ele.

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