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População ocupada ultrapassa 50% pela primeira vez desde abril de 2020

Taxa de desemprego ficou em 13,7% em julho, com 14,1 milhões de pessoas buscando emprego, puxado pela retomada de atividades

Por Larissa Quintino Atualizado em 30 set 2021, 20h35 - Publicado em 30 set 2021, 09h23

A retomada de atividades aliada ao avanço da vacinação, que já havia dado sinais de seus efeitos em outros indicadores econômicos, começa a aparecer no mercado de trabalho. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação recuou para 13,7% no trimestre fechado em julho, uma redução de um ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril. Ao todo, há 14,1 milhões de brasileiros em busca de um emprego.

Apesar do número ainda ser bastante elevado, os dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE trazem mais uma boa notícia: o recuo na taxa de desempregados foi influenciado pelo aumento no número de pessoas ocupadas (89 milhões), que avançou 3,6%, com mais 3,1 milhões no período, com um nível de ocupação de 50,2% entre as pessoas com idade para trabalhar. É a primeira vez desde o trimestre encerrado em abril de 2020, já no período da pandemia, que o nível de ocupação fica acima de 50%. “Isso indica que mais da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país”, destaca a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

A análise da taxa de desemprego juntamente com a taxa de ocupação é importante para entender o movimento do mercado de trabalho. Isso porque o IBGE considera desempregada a pessoa que está sem emprego, mas procurando atividade. Na comparação com o mesmo trimestre de 2020, por exemplo, a taxa de desocupação é estável (13,8% em julho passado), mas, na época, o nível de ocupação era de 47,1%. Ou seja, apesar da taxa similar de desocupação, há mais pessoas efetivamente trabalhando neste ano, o que mostra uma retomada no emprego.

Apesar do crescimento da população ocupada no trimestre até julho, o rendimento médio real dos trabalhadores recuou 2,9% frente ao trimestre anterior e se reduziu 8,8% em relação ao mesmo trimestre de 2020, ficando em 2.508 reais. A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, ficou estável, atingindo 218 bilhões de reais. “Temos mais pessoas ocupadas, no entanto, com rendimentos menores. Isso faz com que a massa de rendimentos fique estável. A despeito de um crescimento tão importante da população ocupada, a massa de crescimento não acompanha a expansão, devido ao fato de a população ocupada estar sendo remunerada com rendimentos menores, tanto na comparação trimestral quanto na anual”, afirma a analista.

Mercado formal e informal

Houve um aumento no emprego com carteira assinada no setor privado e nos postos de trabalho informais, com a manutenção da expansão do trabalho por conta própria sem CNPJ e do emprego sem carteira no setor privado. Isso fez, inclusive, com que a taxa de informalidade subisse dos 39,8% do trimestre móvel anterior para 40,8%, no trimestre encerrado em julho.

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No caso do emprego com carteira assinada, houve avanço de 3,5%, com mais 1 milhão de pessoas, totalizando 30,6 milhões no trimestre até julho. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o contingente aumentou 4,2%, com mais 1,2 milhão de pessoas. É o primeiro aumento no emprego com carteira, desde janeiro de 2020, na comparação anual. O fomento de vagas com carteira assinada já vem sendo sinalizado no Caged, o Cadastro de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho. Vale lembrar que as duas pesquisas têm metodologias diferentes: o Caged compila dados informados por empresas ao governo enquanto a Pnad é uma pesquisa de amostragem, que também compila dados sobre outros setores do mercado de trabalho, e não apenas do setor formal.

O trabalho informal, que inclui aqueles sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração, chegou a 36,3 milhões de pessoas e uma taxa de 40,8%. No trimestre anterior, a taxa foi de 39,8%, com 34,2 milhões de pessoas. Há um ano esse contingente era menor, 30,7 milhões e uma taxa de 37,4%, o menor patamar da série.

“Em um ano, o número de informais cresceu 5,6 milhões. O avanço da informalidade tem proporcionado a recuperação da ocupação da PNAD Contínua”, explica Adriana Beringuy.

O trabalho por conta própria manteve a trajetória de crescimento e atingiu o patamar recorde de 25,2 milhões de pessoas, um aumento de 4,7%, com mais 1,1 milhão de pessoas. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o contingente avançou 3,8 milhões, alta de 17,6%. “Essa é a forma de inserção na ocupação que mais vem crescendo nos últimos trimestres na PNAD Contínua, embora o trabalho com carteira assinada comece a ter resultados mais favoráveis”, acrescentou Adriana Beringuy.

O trabalho doméstico aumentou 7,7%, somando 5,3 milhões pessoas. Frente ao mesmo período do ano anterior, cresceu 16,1%, um adicional de 739 mil pessoas. As expansões trimestral e anual foram as maiores em toda em toda a série histórica da ocupação dos trabalhadores domésticos.

Em um ano, a população ocupada cresceu 7 milhões no país. Adriana Beringuy observa, contudo, que esse crescimento, embora muito significativo, tem como base de comparação o mesmo trimestre de 2020, quando a ocupação ainda era bastante afetada pela pandemia. “Embora tenha havido um crescimento sucessivo ao longo dos trimestres, mostrando recuperação da ocupação, a população ocupada segue inferior ao período pré-pandemia em cerca de 5 milhões de pessoas”, disse a analista do IBGE.

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