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Política monetária nos EUA faz dólar abrir em queda

Por Nalu Fernandes

São Paulo – Os mercados europeus não estão conseguindo segurar a melhora de humor que fez com que as bolsas asiáticas, na maioria, fechassem em alta. Na Europa, a pressão sobre o setor de bancos e um leilão de bônus da Itália visto com cautela pesam sobre o humor dos investidores. Analistas estimam que o sentimento pode melhorar até a abertura dos negócios em Nova York, em face do início (considerado forte) da temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos. No mercado internacional, o dólar apresenta declínio ante diversas moedas globais, alimentando alta das commodities, diante de debates sobre uma eventual nova rodada de compras de ativos nos EUA, aprofundando o relaxamento quantitativo no país. No mercado doméstico, do dólar abriu em queda de 0,22%, a R$R$ 1,8300.

O Livro Bege, ontem, citou expansão moderada da economia norte-americana. Para alguns agentes de mercado, isso reforça a visão de que não deve haver mudança na política monetária na reunião deste mês (dias 24 e 25), mas abre espaço para debates sobre o que virá a partir da reunião em junho, uma vez que ao final daquele mês o calendário do programa da operação twist deve estar concluído. Um estrategista no exterior cita expectativa de que o Fed tenha de adotar compras adicionais de ativos (principalmente hipotecas) em substituição à operação twist.

No mercado doméstico, o BC voltou a fazer leilão de compra de dólar à vista ontem. Segundo fontes, o Tesouro Nacional pode emitir título da dívida externa em breve, apurou a Agência Estado. O governo tem procurado nos últimos dias melhores condições do mercado para fazer a oferta. A percepção é de que o Tesouro voltará a captar no exterior assim que o cenário externo melhorar, e a preferência é por emissão de título atrelado ao real.

Na zona do euro, a Itália vendeu um total de 4,885 bilhões de euros em títulos hoje, um pouco abaixo do volume planejado, de 5 bilhões de euros. O país pagou juros mais elevados nos papéis de prazo mais curto, mas conseguiu yields menores nas colocações de longo prazo, conforme a Dow Jones.

Entre os dados econômicos já divulgados, a produção industrial da zona do euro teve em fevereiro a maior queda (1,8%) anual desde dezembro de 2009, informou a Eurostat, enquanto o aumento mensal (0,5%) foi o mais alto desde agosto do ano passado.

A agenda de divulgações é intensa. Os dados mais aguardados são os da China, mas estes saem apenas à noite – por exemplo, PIB no primeiro trimestre e números da indústria e do varejo em março.