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PMDB empareda o governo e rechaça aumento de impostos

Após reunião com Temer, cúpula do partido decidiu elevar o tom contra a possibilidade aventada pelo governo de criar novos tributos para cobrir o déficit nas contas públicas

Os representantes do PMDB no Congresso deram nesta quarta-feira o recado mais contundente de que não vão apoiar, por ora, a proposta do governo de aumentar impostos, a principal alternativa aventada pelo Planalto para engordar os cofres públicos em tempos de crise econômica. Após a cúpula se reunir com o vice Michel Temer na noite de terça, a estratégia nesta manhã foi elevar o tom contra qualquer nova taxação. “Acho que estão se autodestruindo, fazendo o Maquiavel ao contrário: faz o mal aos poucos e, o que é pior, sem concretizá-lo. Ameaça-se o mal”, disse o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo recomendou o florentino, autor de O Príncipe (1513), o mal deve ser feito de uma vez (“a fim de que, provado em menos tempo, pareça menos amargo”), e o bem, aos poucos (“a fim de que seja mais bem saboreado”).

Ao falar a jornalistas, Cunha fez referências ao “balão de ensaio” criado pelo governo em torno do aumento de impostos – a avaliação entre os parlamentares é que a cada semana é lançada uma proposta nova de taxação com o objetivo de aguardar a reação da opinião pública. O retorno da CPMF, o imposto do cheque, foi descartado após ser rechaçado. “É uma estratégia de desgaste do governo. É de uma falta de inteligência fenomenal”, disse o presidente da Câmara.

Líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ) também fez coro às críticas feitas sobre a estratégia do governo. “Hoje se discute a CPMF, amanhã se discute imposto de renda, no dia seguinte, se discute Cide, amanhã ou depois se discute um outro tributo. É preciso uma coisa clara. É preciso que se aponte para dizer: ‘Olha, nós vamos seguir esse caminho, nós vamos buscar essa solução’. E, evidentemente, uma vez enviada a proposta, o Congresso debate sobre ela”, afirmou. Embora tenha adotado tom mais duro nesta quarta, o peemedebista tem feito acenos ao Planalto e chegou a defender o retorno do imposto do cheque.

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A repulsa dos parlamentares a qualquer nova taxação fez Temer recuar do apoio ao aumento da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os preços dos combustíveis. Ele foi pressionando principalmente por Cunha e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

O discurso unificado entre os peemedebistas é o de que o governo deve, no primeiro momento, fazer cortes na carne e enxugar a máquina pública. “Isso (aumento de impostos) é uma coisa que mais adiante pode ser discutida, mas há uma preliminar que é o corte de despesa, a eficiência do gasto público e é isso que precisa, em primeiro lugar, ser colocado”, disse Renan, ao chegar ao Senado nesta quarta-feira. Ele destacou que em primeiro lugar vem o “dever de casa, que é cortar despesas e dar eficiência ao gasto público”.

Em um anúncio atrapalhado, o governo prometeu cortar dez ministérios até o final de setembro, mas ainda não há definição de quais pastas serão atingidas ou do tamanho da economia que a medida vai gerar. A proposta ainda é avaliada como insuficiente pelo presidente da Câmara, que defende a redução para vinte ministérios.