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Planalto anuncia socorro de R$ 18,5 bi para setores atingidos pelo tarifaço dos EUA

Recursos serão destinados a exportadores atingidos pela sobretaxa imposta por Washington

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 15h38 | Atualizado em 22 jul 2026, 17h05
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O governo federal lançou nesta quarta-feira (22) um novo pacote de apoio financeiro voltado a empresas prejudicadas pela elevação das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O programa prevê a oferta de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para exportadores de diferentes segmentos da economia e também para companhias afetadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também confirmou a sanção da lei que destina R$ 15 bilhões ao Plano Brasil Soberano, mecanismo criado para ampliar o acesso ao crédito em momentos de instabilidade no comércio internacional.

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Crédito atenderá diversos setores da economia

Os recursos serão disponibilizados a empresas exportadoras da indústria, do agronegócio, da mineração, da pesca, da aquicultura e do setor florestal, além de fornecedores dessas cadeias produtivas.

Segundo o governo, as empresas que recorrerem ao financiamento deverão cumprir contrapartidas, entre elas a preservação de parte dos postos de trabalho. A expectativa é oferecer capital para que as companhias consigam manter suas operações enquanto enfrentam o impacto das novas barreiras comerciais.

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Outras iniciativas continuam sendo avaliadas pelo Palácio do Planalto e poderão ser adotadas caso as exportações brasileiras sofram dificuldades adicionais nos próximos meses.

Quais empresas mais ganharam e perderam com o tarifaço dos EUA

Plano amplia programa criado após primeiro tarifaço

A nova etapa do Brasil Soberano expande uma iniciativa lançada em 2025 para socorrer empresas atingidas pela primeira rodada de sobretaxas americanas.

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A lei sancionada por Lula transforma em definitivo uma medida provisória editada em março deste ano, que autorizava a ampliação dos recursos destinados ao programa.

O objetivo é fortalecer a capacidade de financiamento do BNDES para empresas exportadoras diante de um cenário externo mais adverso.

Governo intensifica diálogo com setor produtivo

O anúncio ocorre enquanto o governo mantém uma série de reuniões com representantes dos segmentos mais expostos às novas tarifas impostas por Washington.

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Os encontros, iniciados nesta semana, têm como objetivo identificar os principais impactos sobre as exportações brasileiras e discutir alternativas para reduzir as perdas das empresas.

Representantes da indústria e do agronegócio têm defendido que o governo priorize a negociação diplomática com os Estados Unidos e evite medidas que possam ampliar as tensões comerciais entre os dois países.

As polêmicas medidas de Donald Trump

Negociações perderam força nos últimos meses

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que as conversas com autoridades americanas avançaram no início das negociações, iniciadas após um encontro entre Lula e o presidente Donald Trump, realizado na Malásia no ano passado.

Esse cenário, porém, mudou entre o fim de maio e o início de junho.

Segundo integrantes da equipe brasileira, representantes da Casa Branca passaram a adotar uma posição mais rígida e apresentaram exigências consideradas inaceitáveis pelo Brasil.

Isso inclui alterações nas regras do Pix e mudanças na legislação relacionada aos chamados minerais críticos, insumos estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.

Diplomatas brasileiros também afirmam que informações apresentadas pelo país sobre temas ambientais, como o combate ao desmatamento, foram desconsideradas durante as negociações.

Proposta brasileira ficou sem resposta

Dias antes da confirmação das novas tarifas, negociadores brasileiros apresentaram aos Estados Unidos uma proposta para responder aos seis pontos levantados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.

Segundo o governo, não houve retorno por parte das autoridades americanas.

Diante da proximidade do prazo fixado por Washington, integrantes do Executivo passaram a considerar pouco provável um adiamento da medida, embora uma última rodada de negociações tenha sido realizada antes da confirmação do aumento das tarifas.

Durante essas conversas, o Brasil reiterou que considera a decisão americana injustificada e incompatível com o histórico da relação comercial entre os dois países.

Governo descarta escalada comercial

Apesar do endurecimento das tarifas, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo não pretende responder com retaliações imediatas.

Segundo ele, a eventual utilização da Lei da Reciprocidade Econômica não deve ser interpretada como uma represália, mas como um instrumento previsto na legislação brasileira que poderá ser empregado, se necessário, em momento considerado oportuno.

A posição está alinhada ao pedido feito por representantes do setor produtivo, que defendem a continuidade das negociações diplomáticas para evitar prejuízos adicionais às exportações brasileiras e aos consumidores.

Relação comercial permanece estratégica

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e figuram entre os principais destinos das exportações brasileiras de produtos industrializados.

O governo brasileiro argumenta que o comércio bilateral permanece relativamente aberto.

Segundo dados apresentados pelo Executivo, oito dos dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos para o Brasil entram no país sem cobrança de tarifas de importação, enquanto a tarifa média aplicada aos produtos americanos gira em torno de 3%, percentual que, na avaliação do governo, torna difícil justificar a adoção das novas sobretaxas impostas por Washington.

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