Pix x Zelle: veja as diferenças entre o sistema do Brasil e a alternativa defendida por Eduardo Bolsonaro
Meios de pagamento diferem em questões como modelo de gestão, alcance e velocidade das transações
A comparação entre o Pix e o Zelle, sistema de transferências utilizado nos Estados Unidos, veio à tona nesta semana após declarações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O ex-parlamentar afirmou que o Brasil poderia discutir com os norte-americanos o futuro do Pix e até considerar a adoção do modelo utilizado pelos bancos dos EUA. O tema ganhou repercussão após o governo de Donald Trump mencionar o sistema brasileiro em uma investigação comercial que aponta suposta concorrência desleal no setor de pagamentos digitais.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como, por exemplo, o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, disse Eduardo, em entrevista ao portal TMC News, na quarta-feira, 3. Embora ambos permitam a realização de transferências eletrônicas rápidas, Pix e Zelle possuem diferenças importantes em sua estrutura e funcionamento. A principal delas está no modelo de gestão adotado por cada sistema.
O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central e entrou em operação em novembro de 2020. Além de criar a ferramenta, a autoridade monetária brasileira é responsável por sua regulamentação e pela infraestrutura tecnológica que garante seu funcionamento. Por ser uma plataforma pública, o sistema está disponível em bancos, fintechs e demais instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Já o Zelle foi lançado em 2017 como uma iniciativa privada do sistema financeiro dos Estados Unidos. A plataforma é operada pela Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos norte-americanos, entre eles Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
Outra diferença está na abrangência de cada sistema. Enquanto o Pix pode ser utilizado em qualquer instituição financeira reconhecida pelo Banco Central, o Zelle está disponível apenas para clientes de bancos e cooperativas de crédito que integram sua rede. A ferramenta americana está presente em mais de 2.400 aplicativos de instituições financeiras dos Estados Unidos. Vale lembrar que mais de 4 mil bancos operam nos EUA, ou seja, muitos não tem acesso ao Zelle.
No uso cotidiano, o Pix também apresenta um leque mais amplo de aplicações. Além das transferências entre pessoas, o sistema brasileiro permite pagamentos em estabelecimentos comerciais, quitação de contas e faturas, transações entre empresas e até o recolhimento de receitas públicas e contribuições governamentais. O Zelle, por sua vez, é voltado principalmente para transferências entre pessoas físicas e operações de pequenas empresas. As transações são realizadas diretamente nos aplicativos dos bancos participantes, sem a necessidade de um aplicativo próprio da plataforma.
Também existem diferenças na forma como as transações são processadas. O Pix permite transferências e pagamentos instantâneos durante 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Já o Zelle realiza operações em poucos minutos, de modo que os valores podem não ficar disponíveis de forma imediata para o destinatário.
Há ainda distinções em relação aos custos e ao alcance geográfico. O Pix é gratuito para pessoas físicas e, em geral, apresenta tarifas menores para empresas. No caso do Zelle, a cobrança depende da política de cada banco ou cooperativa de crédito, embora pesquisas indiquem que quase todas as instituições que oferecem o serviço não cobram taxas dos consumidores.
Apesar das semelhanças na rapidez das transações, as duas plataformas foram concebidas com propostas distintas: o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos de acesso amplo e o Zelle como uma solução privada integrada ao sistema bancário tradicional norte-americano.







