Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Desigualdade de renda deixa de avançar após quase cinco anos de piora

Estudo da FGV indica que a distância entre pobres e ricos, que chegou ao maior patamar já visto no ano passado, tende a se estabilizar em 2020

Por Victor Irajá
Atualizado em 17 fev 2020, 18h33 - Publicado em 17 fev 2020, 17h32

Desde o início da crise econômica, a desigualdade no Brasil avançou por dezoito trimestres seguidos. Esse recrudescimento atravessa os governos de Dilma Rousseff, de Michel Temer e os primeiros nove meses do de Jair Bolsonaro. Contudo, depois de quatro anos e meio, a desigualdade no Brasil tende à estabilidade, apontou um estudo divulgado nesta segunda-feira, 17, pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No último ano, a desigualdade de renda do trabalho alcançou o nível mais alto da década. Contudo, o ritmo de deterioração caiu — em 2019, houve avanço de 0,17%, o menor deste período de altas. Segundo os economistas, este, provavelmente, terá sido o último em que foi registrado uma piora do indicador. O levantamento aponta que o índice de Gini, indicador que mede a desigualdade de renda, teve a sua primeira redução — o que é positivo — no último trimestre de 2019, interrompendo quatro anos e meio de aumento na concentração de renda.

O índice, cuja escala vai de 0 a 1, passou de 0,628 para 0,627 — quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade de renda no país. “Estamos no ápice da concentração”, escreveu o diretor do FGV Social, Marcelo Neri. “Segundo a tendência dos últimos trimestres do ano, parece que pode começar a descida cíclica”, explica. “O aumento na concentração de renda já vinha perdendo fôlego, com ritmo de crescimento cada vez menor”, crava. Ele completa dizendo que a renda per capita do trabalho está crescendo: “Não tanto quanto há um ano, mas é uma boa notícia combinada”, analisa. A renda per capita média segue pelo terceiro ano de crescimento a taxa de 1,6% em 2019, fazendo com que o bem estar social tenha crescido 1,32%, o melhor desempenho desde o início da recessão.

A saída para a desigualdade não tem fórmula mais eficiente do que arrumar as contas públicas. Desde a posse de Michel Temer, voltou à pauta a agenda de reformas estruturantes, essenciais para a resolução do problema fiscal brasileiro. A reforma da Previdência foi aprovada no segundo semestre do ano passado, com uma robusta economia prevista para os próximos dez anos, de 800 bilhões de reais. Antes disso, em 2017, a reforma trabalhista foi essencial para dar segurança jurídica em um momento de grave crise econômica e institucional e motivar as contratações. Não é nada de encher os olhos, mas o número de desempregados vem caindo nos últimos dois anos. Segundo o IBGE, taxa média de desemprego fechou 2019 em queda em dezesseis estados.

Em dezembro, VEJA mostrou que, para além das mudanças previdenciárias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vem engendrando uma série de microrreformas para diminuir o tamanho do Estado brasileiro. Longe dos holofotes, do funcionalismo militante e da barganha política, eles têm implementado uma agenda silenciosa, atacando frentes decisivas para tornar o Estado brasileiro mais moderno e eficiente. As revisões de normas regulamentadoras do trabalho, as NRs, e a MP da Liberdade Econômica, que liberou empreendedores de correr atrás de inúmeras autorizações burocráticas, que só atrasavam o empreendedorismo. As necessárias aprovações das reformas administrativa e tributária servirão para melhorar ainda o ambiente fiscal e de negócios no país. Os números positivos estão voltando a aparecer e podem servir de guia para que a equipe econômica não se desvie do caminho.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.