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PIB do segundo trimestre traz boa e má notícia – além de uma grande oportunidade

O consumo das famílias, que sustentou a expansão da economia nos últimos anos, recua e abre espaço para o país buscar novas bases de crescimento

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 set 2026, 11h17 | Atualizado em 1 set 2026, 11h35
PIB do segundo trimestre traz boa e má notícia – além de uma grande oportunidade Priorizar nos meus resultados Google

A desaceleração da economia no segundo trimestre já era amplamente esperada pelos analistas, que projetavam um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 0,4%, na comparação com o primeiro trimestre. O resultado efetivo, divulgado nesta terça-feira 1 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi uma alta levemente maior de 0,5%, que embute uma boa e uma má notícia para o mercado.

A boa é que, ao contrário dos trimestres anteriores, a formação bruta de capital fixo, jargão que, nas contas do IBGE, representa os investimentos produtivos, foi um dos destaques positivos e contribuiu decisivamente para a expansão da economia de abril a junho. Os investimentos cresceram 1,2% sobre o início do ano e 1,4% na comparação com doze meses atrás. “Isso mostra que a atividade está deixando de ser sustentada pela expansão generalizada da demanda e passando a depender mais da formação de capital e do desempenho de setores específicos”, afirma Gustavo Assis, presidente do grupo financeiro Asset.

Entre tais setores, o destaque, mais uma vez, foi o agronegócio, cujo PIB cresceu 2,8% sobre o primeiro trimestre. Na mesma base de comparação, a indústria permaneceu praticamente estável com alta de 0,1%, e o setor de serviços foi ligeiramente melhor com 0,2%.

Do lado negativo, a má notícia é o recuo de 0,4% do consumo das famílias sobre os três primeiros meses do ano, reportado pelo IBGE nesta terça. Para os analistas, isso mostra que a política monetária restritiva do Banco Central – leia-se, a manutenção de elevadas taxas de juro – finalmente está cumprindo o seu papel de frear a demanda, a fim de combater a inflação. Entretanto, como o consumo foi um dos grandes pilares de crescimento do PIB nos últimos anos, sua queda acende o alerta do mercado de que a economia possa entrar em recessão – embora este não seja o cenário predominante no mercado. “A economia continua crescendo, mas as famílias deixaram de ser seu motor mais dinâmico”, afirma Alberto Friggi, presidente da corretora de crédito Friggi & Secco. “A possibilidade de PIB negativo no terceiro trimestre é maior do que o número agregado de 0,5% pode sugerir, porque a queda do consumo tende a produzir efeitos defasados.”

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De qualquer modo, a avaliação é de que os resultados do PIB reforçam a certeza de que a atuação do Banco Central tem conseguido esfriar a economia – um movimento que deve continuar até o fim do ano. “Os efeitos defasados da política monetária deverão se tornar mais evidentes no segundo semestre, em um cenário de manutenção da Selic em patamar elevado por mais tempo diante das pressões inflacionárias, somado a um quadro de crescente endividamento das famílias e empresas”, diz Rafael Perez, economista da casa de análises Suno Research. Nas suas contas, o PIB deve crescer 0,2% no terceiro trimestre e 0% no último trimestre. Com isso, projeta um crescimento acumulado de 1,9% neste ano.

“Os dados sugerem certo esgotamento do ciclo de crescimento que marcou a economia brasileira nos últimos anos, sustentado principalmente pela expansão do consumo e de uma política fiscal expansionista”, acrescenta Perez. Segundo o economista, o fim desse modelo de expansão da economia cria a oportunidade de assentar o desenvolvimento brasileiro sobre outras bases. “A desaceleração desses vetores reforça a necessidade de novos motores para a atividade, especialmente pelo lado da oferta, com ganhos de produtividade, aumento dos investimentos e expansão da capacidade produtiva.”

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