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PIB despenca 9,7% no 2º trimestre em choque histórico na economia

Resultado reflete período mais drástico da pandemia na atividade econômica brasileira; país soma dois trimestres seguidos de retração

Por Larissa Quintino Atualizado em 1 set 2020, 09h40 - Publicado em 1 set 2020, 09h00

A conta da pandemia do coronavírus na economia brasileira já tem dados certos. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre derreteu 9,7%, informou nesta terça-feira, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é recorde e confirma o que já era esperado pelo mercado financeiro e pelo governo, que estimavam um tombo entre 8% e 10%. O índice é resultado das necessárias medidas de distanciamento social tomada por estados e municípios para tentar conter o avanço da Covid-19. A fase mais aguda do distanciamento social, ocorrida em abril, levou o resultado da economia no período para baixa histórica e nem mesmo a reabertura gradual das atividades não essenciais em maio e junho foi suficiente para amenizar a queda.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos dentro do país, e serve para medir o comportamento da atividade econômica. Em valores correntes, somou 1,653 trilhão de reais de abril a junho. No primeiro semestre do ano, a economia acumulou queda de 5,9%. Nos últimos quatro trimestres, encolheu 2,2%, e na comparação com o segundo trimestre do ano passado, o recuo foi de 11,4%. Segundo o IBGE, o PIB está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana.

A retração da economia resulta das quedas históricas de 12,3% na indústria e de 9,7% nos serviços. Somados, indústria e serviços representam 95% do PIB nacional. Já a agropecuária cresceu 0,4%, puxada, principalmente, pela produção de soja e café.

O primeiro caso de coronavírus no país foi oficialmente confirmado no fim de fevereiro e o fechamento das atividades não essenciais – que afetou principalmente os serviços – se iniciou em meados de março. Com a atividade econômica já baixa, o PIB do primeiro trimestre veio com retração de 1,5%, já acusando os primeiros sinais da crise, que tomou proporções gigantescas depois deste período, tanto que a retração do segundo trimestre é a maior registrada na série histórica, que se iniciou em 1996. Com os dois meses consecutivos de resultado negativo do PIB, o Brasil entra oficialmente na chamada recessão técnica. Ao fim do segundo trimestre, o Brasil tinha mais de 1,4 milhão de casos confirmados e 59 mil óbitos provocados pelo novo coronavírus.

“Esses resultados referem-se ao auge do isolamento social, quando diversas atividades econômicas foram parcial ou totalmente paralisadas para enfrentamento da pandemia”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O choque só não foi mais acentuado porque o Ministério da Economia agiu rápido em uma série de medidas para amenizar o tombo. Aumento de liquidez, auxílio para estados e municípios, crédito para empresas e transferências de renda diretas ajudaram. Delas, a mais famosa e celebrada é o o auxílio emergencial, que paga 600 reais mensais a trabalhadores informais, afetados frontalmente pela crise e as restrições de circulação. Há expectativa, inclusive, que o governo anuncie essa semana a prorrogação do benefício até dezembro, com um valor menor. Mesmo com o foco de injetar dinheiro diretamente na economia, o consumo das famílias deve a maior queda na ótica da demanda: – 12,5%, que representa 65% do PIB. “O consumo das famílias não caiu mais porque tivemos programas de apoio financeiro do governo. Isso injetou liquidez na economia. Também houve um crescimento do crédito voltado às pessoas físicas, que compensou um pouco os efeitos negativos”, disse Rebeca Palis.

O consumo do governo recuou 8,8% no segundo trimestre, muito por causa das quedas em saúde e educação públicas, explica a coordenadora do IBGE. “Na saúde, os gastos ficaram mais focados no combate à Covid-19, e as pessoas tiveram receio de buscar outros serviços, como consultas e exames, durante a pandemia. Na educação, utilizamos nas contas o percentual do Ministério da Educação de alunos que tiveram aulas ou não. Isso fez com o que o consumo do governo caísse bastante também”, detalhou a coordenadora, destacando que o resultado não tem relação com a política fiscal.

A expectativa é que o aquecimento visto a partir de maio, que não chegou a refletir no PIB do trimestre, continue. Porém, o tombo no início do ano deve levar a uma recessão histórica em 2020, estimada em 5,26% pelo mercado financeiro – segundo o último Boletim Focus – e 4,7% pelo governo federal. No acumulado do primeiro semestre, o PIB caiu 5,9% em relação ao mesmo período de 2019, com desempenho positivo da agropecuária (1,6%). Na indústria (-6,5%) e nos serviços (-5,9%) os resultados foram negativos. “Essa foi a primeira taxa semestral negativa desde 2017, quando estávamos saindo da crise econômica que ocorreu, principalmente, entre 2015 e 2016. Agora, voltamos a uma nova queda no PIB”, conclui Rebeca Palis.

O grau do tombo mostra ainda mais a importância de seguir o caminho de austeridade de gastos no pós pandemia e foco na geração de empregos para que haja uma retomada sustentável da economia brasileira. O caminho para reconstrução, que vinha ocorrendo, é longo, mas não deve ser abandonado.

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