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PIB da Grécia vai contrair 4,5% em 2013 e dívida deve aumentar

Números foram apresentados ao Parlamento nesta quarta-feira, dia em que os ministro das Finanças discutem a ajuda à Grécia

Por Da Redação - 31 out 2012, 12h05

A economia grega deve ter contração de 4,5% em 2013, o que elevará sua dívida pública para um recorde de 189% do Produto Interno Bruto (PIB), apesar do perdão da dívida por parte do setor privado feito no início do ano de cerca de 100 bilhões de euros. Na primeira previsão oficial a expectativa girava em torno de queda de 3,8% do PIB no ano que vem. A contração da economia é um dos fatores determinantes da crescente insustentabilidade da dívida pública grega.

Segundo estimativas do Ministério das Finanças, divulgadas ao Parlamento do país nesta quarta-feira, a recessão esperada para 2013, no entanto, é menor do que a contração prevista para esse ano (6,5%). Apesar disso, o consumo privado na Grécia irá cair de 7,7% em 2012 para 7% no ano que vem. O superávit primário está estimado em apenas 0,4%, abaixo do 1,1% previsto anteriormente.

Em análise – A notícia chegou no momento em que os ministros das Finanças da zona do euro se reúnem para discutir as reformas que a Grécia está acordando com seus credores internacionais para receber os empréstimos emergenciais.

Thomas Wieser, coordenador dos ministros das Finanças da zona do euro, disse que os credores da Grécia não estão discutindo no momento outro corte da dívida. “Em nenhuma dessas rodadas de discussões e negociações a palavra ‘corte’ foi mencionada”, afirmou. Ele participou de discussões com autoridades da “troika” (grupo formado por Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) nos últimos dois dias.

Ainda segundo Wieser, diplomatas estão discutindo outras soluções para o país, como a prorrogação dos vencimentos e a redução da taxa de juros nos empréstimos existentes, permitindo que a Grécia recompre sua própria dívida com desconto e com dinheiro emprestado, além de possibilitar que emita mais notas do Tesouro de curto prazo.

Nenhuma decisão deve ser tomada na teleconferência de quarta-feira, mas os ministros debaterão as opções antes de uma reunião decisiva que acontecerá em 12 de novembro. “As negociações (entre a Grécia e a troika) ainda não estão finalizadas”, acrescentou Wieser.

Dificuldades – A Grécia precisa avançar com cortes de gastos e medidas tributárias avaliadas em 13,5 bilhões de euros, assim como com uma série de reformas econômicas para satisfazer a UE e o FMI e garantir dinheiro de resgate para evitar a bancarrota.

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A troika está preparando um relatório sobre a sustentabilidade da dívida grega e avaliando maneiras de encontrar financiamento extra para a Grécia alcançar um superávit primário suficiente para amenizar os débitos. Uma estimativa da troika apresentada às autoridades das Finanças da zona do euro na semana passada mostrou que a Grécia precisará de mais 30 bilhões de euros em financiamento nos próximos dois anos.

Wieser afirmou que será “muito, muito difícil” para a Grécia alcançar a meta original, dada a profundidade de sua recessão, um ponto de vista destacado pela estimativa revisada desta quarta-feira. Os últimos números sobre o orçamento, entretanto, confirmam que o país está no caminho para alcançar um superávit primário pela primeira vez desde 2002, após um déficit de 1,5% em 2012.

Impasse político – Para receber o segundo resgate da UE, que foi suspenso em junho porque o país não avançava com suas reformas, a Grécia depende de uma coalizão política para adotar reformas trabalhistas severas.

A maioria dos legisladores socialistas concordou, na terça-feira, em votar a favor das contestadas reformas, disseram autoridades do partido, elevando a probabilidade de o governo vencer uma votação parlamentar que se tornou o seu maior teste desde que assumiu o poder em junho.

Após meses de negociações sobre o plano de austeridade, o primeiro-ministro, Antonis Samaras, anunciou que as negociações haviam sido finalizadas e implorou que seus aliados apoiassem o pacote. O partido Nova Democracia, do primeiro-ministro, e o socialista Pasok têm entre eles 160 deputados, nove a mais do que precisam para uma maioria absoluta no Parlamento.

Mas a terceira parte na coalizão, o Esquerda Democrata, recusa-se a apoiar as novas leis trabalhistas propostas, o que poderia induzir outros deputados a desertar e deixar o governo com uma votação imprevisível na próxima semana.

“O que acontecerá se o acordo não for aprovado e o país for levado ao caos?”, disse Samaras em um comunicado. “Tais perigos têm que ser evitados. Essa é a responsabilidade de cada partido e de todo legislador individualmente.” O Esquerda Democrata respondeu imediatamente reiterando que irá votar contra as medidas, que incluem acabar com aumentos automáticos de salários e cortes de indenizações.

(com agência Reuters)

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