PIB avança 0,5% e fica levemente acima do esperado no 2° trimestre de 2026
Apesar do avanço, o resultado indica desaceleração em relação ao crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre de 2026
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o primeiro trimestre de 2026, mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicados nesta terça-feira, 1°. Com isso, o PIB somou 3,4 trilhões de reais no segundo trimestre.
O número ficou levemente acima do esperado pelo mercado. Isso porque a mediana das projeções compiladas pelo Broadcast apontava para alta de 0,4% do PIB no segundo trimestre. A alta levemente acima do esperado foi puxada pelo agronegócio, que cresceu 2,8% no período. Serviços e Indústria também registraram alta, de 0,2% e 0,1%, respectivamente.
Apesar do avanço, o resultado indica desaceleração em relação ao crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre de 2026 frente aos três meses anteriores. O desempenho mais moderado ocorre em um cenário de juros elevados, com a taxa Selic variando entre 14,75% e 14% ao ano entre abril e junho, o que pressionou a atividade econômica.
Com o resultado, o PIB somou 3,4 trilhões de reais no segundo trimestre. Do total, 2,9 trilhões de reais correspondem ao Valor Adicionado a preços básicos e 487,9 bilhões de reais aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.
Pela ótica da demanda, a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida dos investimentos, avançou 1,2% no trimestre. O Consumo do Governo também cresceu, com alta de 0,4%. Já o Consumo das Famílias recuou 0,4%, após o avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre.
No setor externo, as Exportações de Bens e Serviços caíram 0,8% entre o primeiro e o segundo trimestre, enquanto as Importações avançaram 1,8%.
Agronegócio lidera crescimento
O desempenho da Agropecuária foi o principal destaque do PIB no segundo trimestre, com expansão de 2,8% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, o setor cresceu ainda mais, 6,8%.
Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado pelo desempenho da Pecuária e por produtos agrícolas com peso relevante na produção do segundo trimestre. Entre as culturas, destacaram-se soja, com alta estimada de 5,3%, e café, com crescimento de 15,1%. Esses resultados compensaram quedas em produtos como arroz, algodão e milho.
A Indústria teve crescimento de apenas 0,1% no trimestre. O resultado foi impulsionado pelas Indústrias extrativas, que avançaram 3,4%. Na direção oposta, houve retração de 1,1% em Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos, de 0,4% nas Indústrias de transformação e de 0,4% na Construção.
Nos Serviços, que representam a maior parcela da economia, a alta foi de 0,2%. Informação e comunicação teve o melhor desempenho, com crescimento de 2,1%, seguida por Transporte, armazenagem e correio, com 1,1%, e Atividades imobiliárias, com 0,2%.
PIB cresce 2% em um ano
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,0%. A Agropecuária novamente foi o principal destaque, com alta de 6,8%, enquanto Indústria e Serviços avançaram 1,5% cada.
Na Indústria, as atividades extrativas cresceram 12,0%, impulsionadas pelo aumento da extração de petróleo e gás. A Construção avançou 1,0%, enquanto as Indústrias de transformação recuaram 0,9% e Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 0,5%.
Entre os Serviços, Informação e comunicação apresentou o maior crescimento, de 8,4%. Também houve avanço em Atividades imobiliárias (2,2%), Transporte, armazenagem e correio (1,2%), Outras atividades de serviços (1,1%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,0%), Comércio (0,9%) e Administração pública, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,9%).
Pela ótica da demanda, o Consumo do Governo cresceu 3,1% e o Consumo das Famílias avançou 0,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Os investimentos tiveram alta de 1,4%, enquanto Exportações e Importações cresceram 3,8% e 5,5%, respectivamente.
PIB acumula alta de 1,9% em quatro trimestres
No acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, o PIB cresceu 1,9% em relação aos quatro trimestres anteriores. A Agropecuária teve alta de 6,2%, seguida por Serviços, com 1,7%, e Indústria, com 1,4%.
Nesse período, as Indústrias extrativas apresentaram expansão de 12,2%, enquanto a Construção cresceu 0,3%. As Indústrias de transformação recuaram 1,1% e o segmento de Eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos caiu 0,6%.
No primeiro semestre de 2026, o PIB acumulou crescimento de 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. A Agropecuária avançou 3,6%, a Indústria cresceu 1,6% e os Serviços tiveram alta de 1,8%.
Investimentos representam 16,1% do PIB
A taxa de investimento ficou em 16,1% do PIB no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 16,6% registrados no mesmo período de 2025. Já a taxa de poupança foi de 16,6%, ligeiramente acima dos 16,5% observados um ano antes.
Apesar da expansão do PIB no trimestre, o ritmo de crescimento ficou abaixo do registrado nos primeiros três meses do ano. O PIB havia avançado 1,1% no primeiro trimestre de 2026, após altas de 0,2% no quarto trimestre de 2025, 0,1% no terceiro trimestre e 0,4% no segundo trimestre do ano passado.







