Petróleo supera US$ 90 por barril com escalada da guerra no Oriente Médio
Navio é atingido e pega fogo no Estreito de Ormuz em meio à nova possibilidade de acordo entre EUA e Irã
Os preços do petróleo dispararam na abertura do mercado internacional nesta segunda-feira, 20, após uma nova escalada da guerra no Oriente Médio. O avanço da commodity foi impulsionado pelos novos confrontos entre Estados Unidos e Irã e pelo incêndio em um navio no Estreito de Ormuz, mas o óleo negro perdeu força depois depois de informações da agência Reuters de que um novo acordo pode ser fechado.
Por volta das 8h (horário de Brasília), o barril do petróleo subia 0,34%, cotado a 88,40 dólares. Na máxima do dia, a commodity chegou a 91,41 dólares por barril, alta de aproximadamente 3%. A comodity perdeu força após noticias de que líderes iraquianos e catarianos endossaram um acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã com liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Por outro lado, agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que uma embarcação está em chamas no Estreito de Ormuz. Segundo o comunicado, o incêndio ocorreu a cerca de 15 quilômetros de Kuzmar, em Omã, mas a causa ainda é desconhecida.
“O UKMTO recebeu informações de autoridades militares de que um navio está em chamas”, informou a organização.
O episódio reforça a percepção de risco para a navegação na região, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou nesta segunda-feira um “ataque surpresa” contra um centro de comando inimigo na região de Al Tanf, na Síria, segundo comunicado divulgado pela agência estatal Irna.
De acordo com a agência, a ofensiva foi realizada “em vingança pelo sangue dos soldados martirizados em Iranshahr”, cidade localizada no sudeste do Irã.
Na noite de domingo, a agência iraniana Tasnim informou que três militares iranianos mortos em um ataque americano contra um quartel em Iranshahr foram enterrados.
Estados Unidos ampliam ofensiva
Os Estados Unidos lançaram no domingo, 19, uma nova série de ataques contra alvos iranianos após confirmarem as primeiras mortes de militares americanos desde a retomada das hostilidades.
Na oitava noite consecutiva de bombardeios, o Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou que atacou instalações militares iranianas e posições da Guarda Revolucionária responsáveis, segundo Washington, por ataques contra soldados americanos na Jordânia.
No sábado, o Exército americano confirmou a morte de dois militares e o desaparecimento de um terceiro após ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irã.
Já no domingo, o Centcom informou a morte de outro militar durante a detonação controlada de um artefato de um drone iraniano abatido no norte do Iraque. Com isso, o número de militares americanos mortos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, chegou a 17.
Do lado iraniano, as agências Mehr e Tasnim relataram ataques americanos contra Sirik, porto localizado às margens do Estreito de Ormuz. A agência oficial Irna também informou bombardeios nas proximidades de Hajiabad, na província de Hormozgan.
Os ataques americanos também atingiram uma usina nuclear em construção em Darkhovin, no sudoeste do Irã, segundo a Organização de Energia Atômica do país. Após a ofensiva, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu moderação, mas afirmou que não há risco radiológico.
A tensão também se espalhou por outros países da região. Kuwait e Bahrein afirmaram ter sido alvo de ataques iranianos no domingo. Sirenes também foram acionadas em Amã, capital da Jordânia.
As autoridades do Kuwait informaram que uma usina elétrica e uma planta de dessalinização foram atingidas, provocando incêndios em parte das instalações.
No Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha americana, o comando militar afirmou que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram diversos ataques lançados pelo Irã.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou na rede social X que Teerã “tomará as medidas apropriadas para defender seus interesses nacionais e sua segurança”.
A sequência de ataques reforça os temores de uma ampliação do conflito no Oriente Médio. Para o mercado, o risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua sustentando os preços da commodity em patamares elevados.







