Petróleo pode disparar a US$ 120 se bloqueio de Ormuz persistir, alerta Goldman Sachs
Instituição alerta que um eventual fechamento da principal rota de exportação de petróleo teria impacto imediato
O aumento das tensões no Oriente Médio voltou a colocar o mercado de energia em alerta.
Em um relatório divulgado nesta terça-feira, 21, o Goldman Sachs afirma que o preço do petróleo Brent pode superar US$ 120 por barril no quarto trimestre de 2026 caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período prolongado.
Embora trate esse como um cenário de risco, e não como sua previsão principal, o banco considera que uma interrupção na passagem teria potencial para desencadear um dos maiores choques de oferta dos últimos anos.
No cenário-base, a instituição continua projetando o Brent entre US$ 75 e US$ 80 por barril no último trimestre de 2026, refletindo uma expectativa de mercado relativamente equilibrado.
Por que o Estreito de Ormuz é estratégico
A preocupação se concentra no papel do Estreito de Ormuz para o abastecimento mundial de energia. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e funciona como a principal rota de exportação de petróleo dos países do Oriente Médio.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) mostram que aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo passa diariamente pelo estreito. Entre os principais exportadores que dependem dessa rota estão Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e o próprio Irã.
Por causa dessa concentração, qualquer ameaça à navegação costuma provocar reações imediatas nos mercados financeiros e elevar a percepção de risco sobre o abastecimento global.
Demanda chinesa pode reduzir parte da pressão
Apesar de reconhecer que os estoques mundiais de petróleo diminuíram nos últimos meses, o Goldman Sachs avalia que o mercado hoje está menos suscetível a uma disparada ainda maior dos preços do que esteve no início do ano.
Um dos motivos é a fraqueza da demanda chinesa. O banco observa que as importações de petróleo pela China seguem abaixo das expectativas, refletindo o ritmo mais moderado da atividade econômica do país. Esse fator ajuda a reduzir parte da pressão sobre a oferta internacional, mesmo diante do aumento das tensões geopolíticas.
Diesel preocupa mais que o petróleo
Além do petróleo bruto, o Goldman Sachs chama atenção para o mercado de diesel, que já enfrenta restrições de oferta.
Segundo o banco, investidores que desejam proteção contra possíveis choques geopolíticos deveriam considerar posições ligadas ao diferencial de preços do diesel europeu entre dezembro de 2026 e março de 2027.
A avaliação é de que esse mercado permanecerá pressionado mesmo sem uma escalada militar envolvendo diretamente o Irã. Entre os fatores apontados está a situação da Rússia, cuja capacidade de refino foi afetada por sucessivos ataques de drones ucranianos. O relatório afirma que cerca de 80% do parque de refino do país segue impactado, limitando a oferta do combustível.
Impacto pode ir além do mercado de energia
Um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz não afetaria apenas as cotações do petróleo.
Economistas alertam que uma disparada da commodity tende a pressionar os preços dos combustíveis, elevar custos de transporte e produção e dificultar o controle da inflação em diversas economias.
Por isso, o mercado acompanha de perto qualquer sinal de agravamento das tensões na região.
Embora o Goldman Sachs considere o fechamento prolongado da passagem um cenário de baixa probabilidade, o banco ressalta que seus efeitos seriam amplos e imediatos, tornando o risco um dos principais fatores para o mercado de petróleo nos próximos meses.






