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Petróleo pode bater US$ 100 e gerar ainda mais pressão inflacionária

Bancos de investimentos e especialistas do setor acreditam que o petróleo Brent, principal referência para a cotação do combustível nacional, pode disparar

Por Luana Meneghetti Atualizado em 5 jan 2022, 16h24 - Publicado em 5 jan 2022, 14h28

Mesmo com a circulação da variante ômicron e o aumento das contaminações virais em todo o mundo, que estão levando a uma nova onda de restrições, o preço do petróleo pode continuar resiliente em 2022. Bancos de investimentos e especialistas do setor acreditam que o petróleo Brent, principal referência para a cotação do combustível pela Petrobras, pode bater 100 dólares por barril ou até mesmo ultrapassar este valor neste ano.

Na visão do especialista em petróleo da Blackstone, Byron Wien, o patamar dos três dígitos para o petróleo Brent é uma possibilidade forte. As previsões do Bank of America calculam preço ainda maior. O banco americano falava no ano passado que o Brent tinha fôlego para alcançar 120 dólares por barril ainda na primeira metade deste ano. Analistas consultados por VEJA não descartam essa cotação. Para Flávio Oliveira, chefe de renda variável da Zahl Investimentos, a previsão é realista e pode se concretizar. “Um dos fatores que está mantendo o petróleo alto foi a falta de investimentos que tivemos na última década no setor, gerando agora desequilíbrios para igualar a oferta com a demanda”, diz.

Segundo Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, a previsão pode se concretizar se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) for ainda mais vagarosa para aumentar a produção de petróleo e a demanda, especialmente por combustível nos países desenvolvidos, for ainda mais acelerada. “Isso depende também da capacidade dos países produtores de incrementar sua capacidade produtiva num prazo menor”, diz.  Para Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos, a recuperação do crescimento da China também pode impulsionar o preço do petróleo. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a demanda global vai aumentar 3,3 milhões de barris por dia nos próximos anos, bem acima do volume prévio à pandemia, que era de pouco mais de 1 milhão. Esse desequilíbrio ainda deve perdurar pelos próximos anos, e também acaba sendo impactado com a mudança da transição energética.

As previsões já parecem começar a se concretizar. Na terça-feira, 4, o petróleo Brent saltou para 80 dólares por barril, seu maior nível desde novembro, quando as primeiras notícias sobre a nova variante derrubaram o preço. A alta foi incentivada pelo anúncio  da Opep+ de manter o aumento de produção planejado para fevereiro. “Por mais que possa ajudar a equilibrar esse mercado, a Opep+ não tem dado sinais de que vai aumentar de forma desenfreada a produção para derrubar o preço”, diz Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos.

No ano passado, a cotação do petróleo Brent subiu 60,9% em relação a 2020, em meio à trajetória de retomada econômica, que fez disparar a demanda pela commodity. O Brent chegou ao valor máximo de 85 dólares por barril em 2021 entre setembro e novembro. Antes da pandemia, o preço médio anual mantinha-se estável na casa de 60 dólares por barril. A alta do preço do barril do petróleo tem sido um dos principais vilões para a disparada do preço dos combustíveis no Brasil. Gasolina e diesel ficaram 43% mais caros, enquanto o etanol chegou a encarecer 61,2% nas bombas em 2021, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

A alta dos combustíveis supera a inflação no acumulado de doze meses e deve também superar a inflação do ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação, encerrou 2021 em 10,42%. A previsão dos especialistas é que o IPCA de 2021 fique em algo em torno de 10,03%. Assim, a inflação dos combustíveis é quase quatro vezes maior que a inflação oficial no caso da gasolina e do diesel, e 6 vezes maior no caso do etanol.

A alta no preço dos combustíveis é de grande preocupação para os bancos centrais, que possuem o compromisso de manter a inflação na meta. Segundo analistas entrevistados por VEJA, o preço do petróleo não deve arrefecer neste ano, devendo se manter acima de 75 dólares por barril, e aliviando pouco para as autoridades monetárias. “Nosso cenário base é de 75 a 80 dólares por barril”, conta Oliveira, da Zahl Investimentos. Para o Bank of America, a ômicron terá efeito limitado na demanda e o Brent deve encerrar o ano de 2022 cotado a 85 dólares por barril, preço máximo atingido no ano passado.

Além do preço do barril, o comportamento do preço dos combustíveis também depende do dólar, isso porque a política de preços da Petrobras é afetada pelo câmbio. No Brasil, caso as projeções se concretizem, o cenário fica ainda pior com a desvalorização do real. O dólar registrou alta de 7,47% sobre o real em 2021, e as expectativas para esse ano não são animadoras. Com a crise fiscal e em meio a ano eleitoral, o risco Brasil fica maior, impactando na cotação do dólar. A projeção do mercado para o dólar é de R$ 5,60, de acordo com o último boletim Focus. A escalada no aumento dos juros americanos também fazem pressão sobre a elevação do dólar. Por isso, alguns bancos e casas de análise já falam em um câmbio a 6 reais no fim de 2022. Com o dólar mais caro, o preço médio dos combustíveis também será impactado.  “O aumento do petróleo é preocupante tendo em vista o cenário mundial que sofre com fortes pressões inflacionárias. Além disso, a commodity distribui a inflação para vários setores”, avalia Morelli.

As projeções do mercado são de uma inflação de 5,03% para este ano, mas maiores pressões no preço do petróleo podem elevar o índice para patamares ainda maiores. Para os especialistas, é difícil prever o quanto isso pode significar de altas nas bombas. “O que se pode esperar é que o aumento sentido pelo consumidor seja bem maior do que o aumento no preço da commodity”, diz Medeiros, da Valor Investimentos.

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