Petróleo cai, mas dólar valorizado pode ser problema; entenda
Queda do barril ajuda, mas impacto será gradual
Os preços internacionais do petróleo voltaram aos valores pré-guerra com o Brent cotado por volta dos US$ 72 o barril e o WTI a US$ 68 o barril, as cotações têm como referência o negociado nos mercados americano e inglês.
A decisão da OPEP+ de ampliar a produção em 188 mil barris por dia em agosto deve ter pouco impacto sobre os preços no curto prazo.
OPEP +
A medida veio na esteira da reabertura do Estreito de Ormuz, o que de fato reduziu as tensões que haviam elevado os preços durante os conflitos contra Estados Unidos/Israel contra o Irã. Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum investimentos, em entrevista ao programa Mercado, o aumento da oferta é positivo para o mercado, mas, sozinho, não será suficiente para devolver os preços aos níveis observados no início do ano.
Ainda há instabilidade na região
Perri acredita que a geopolítica continua sendo o principal fator de risco para o petróleo, já que qualquer novo episódio de instabilidade pode interromper o movimento de queda das cotações. Ele avalia, no entanto, que um avanço mais consistente na pacificação , especialmente envolvendo Líbano e Israel, abriria espaço para um recuo adicional dos preços.
Alívio pra a inflação no Brasil
Na visão do especialista, esse movimento beneficiaria diretamente a economia brasileira ao aliviar a inflação e ampliar a margem de atuação do Banco Central para promover novos cortes na taxa básica de juros.
A logística de Ormuz
Já o economista Reinaldo Cafeo destacou que a ampliação da produção pela OPEP+ também representa uma resposta à normalização da logística internacional.
Segundo ele, durante o período de maior tensão houve paralisações em alguns setores porque a dificuldade de escoamento limitava a produção. Com a retomada do fluxo comercial, a oferta tende a crescer e a trazer mais tranquilidade aos mercados.
Sem redução imediata nos combustíveis
Apesar da melhora no cenário externo, Cafeo pondera que os consumidores brasileiros não devem esperar uma redução imediata nos preços dos combustíveis.
Ele lembra que o governo retirou recentemente o subsídio ao óleo diesel, fator que pode limitar o repasse da queda do petróleo para as bombas, pelo menos no curto prazo.
Cuidado com a valorização do dólar
Outro ponto destacado pelo economista é o comportamento do câmbio. Como o petróleo é negociado em dólar, uma valorização da moeda americana pode anular parte do benefício proporcionado pela queda do barril.
Ainda assim, Cafeo afirma que, caso a redução dos combustíveis efetivamente chegue ao consumidor, o efeito será positivo para a inflação e contribuirá para um ambiente econômico mais favorável no país.
No ano, o petróleo segue ainda bastante valorizado. O tipo Brent subiu quase 19% em 2026, mesmo com as sucessivas quedas recentes.







