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Petrobras terá ano difícil, diz Graça Foster

Presidente prevê que a empresa continuará enfrentando em 2013 os mesmos problemas que levaram o resultado de 2012 a ser o pior em oito anos

Por Da Redação 5 fev 2013, 16h30

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, admitiu nesta terça-feira que a empresa terá um ano “muito difícil”, uma vez que persistirão os problemas que derrubaram o lucro líquido da empresa em 2012 ao nível mais baixo em oito anos.O lucro líquido da Petrobras em 2012 somou 21,2 bilhões de reais, o que representou uma queda de 36% em relação ao ano anterior e o pior resultado desde 2005.

Graça Foster atribuiu a queda dos lucros ao desnível do preço interno dos combustíveis com os do exterior, à valorização do dólar nos últimos meses de 2012 – que encareceu as importações e a dívida da empresa – e ao aumento das importações de derivados para atender uma demanda interna crescente e uma menor produção no Brasil. “2013 será um ano muito difícil, mais difícil que 2012, porque teremos que paralisar a produção em várias plataformas para manutenção e, ao mesmo tempo, conseguir recursos para aumentar o investimento”, afirmou a presidente em entrevista coletiva na qual comentou os decepcionantes resultados divulgados nessa segunda-feira.

A produção de petróleo da empresa no Brasil caiu 2% em comparação a 2011 e ficou em 1,98 milhões de barris diários na média. A executiva disse que a queda da produção se deveu à necessária paralisação de diferentes plataformas marinhas para manutenção e à suspensão de operações por um vazamento no Campo do Frade, operado pela Chevron, mas no qual a Petrobras tem participação. Segundo a presidente da companhia, esses problemas se manterão em 2013, mas poderão ser superados com a entrada em operação no segundo semestre de seis novas plataformas de produção.

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A executiva admitiu igualmente que a dívida líquida da empresa, que em 2012 saltou 43% até 147,817 bilhões de reais, também se manterá elevada em 2013, uma vez que a companhia precisa manter suas captações para garantir os investimentos programados. Após ter realizado em 2012 investimentos recordes no valor de 84,137 bilhões de reais, a Petrobras deve elevar os investimentos em 2013 até R$ 97,7 bilhões.

A necessidade de elevar as captações em momentos em que a companhia gera menos recursos excedentes pela queda de seus lucros igualmente ameaça a classificação de risco dada pelas agências internacionais à empresa, admitiu Graça Foster.

“Evidentemente estamos atentos à percepção que as agências têm sobre a situação da Petrobras, mas acreditamos que poderemos manter a confiança”, disse a executiva.

Graça Foster declarou que, em abril, a companhia apresentará uma lista de ativos à venda e que incluem tanto concessões no Brasil como no exterior, principalmente no Golfo do México e na África, assim como a refinaria que controla em Pasadena, nos Estados Unidos.

Entre as variáveis que farão de 2013 um ano difícil, Graça Foster mencionou o desnível entre os preços dos combustíveis no Brasil e o exterior, que faz com que a empresa pague caro pela gasolina importada, e disse que a companhia espera que o Governo concilie esses valores, o que exigiria reajustes de preços.

A executiva afirmou que os reajustes do último ano, que elevaram o preço da gasolina no Brasil em 14,9%, foram cancelados pelo aumento de 6% no preço do barril no exterior e pela valorização do dólar em 14%.

(com agência EFE)

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