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Petrobras tem prejuízo de R$ 3,7 bilhões no 3º trimestre

No mesmo período do ano passado, o resultado negativo da empresa havia sido de R$ 5,33 bilhões e no segundo trimestre deste ano, lucro de R$ 531 milhões

Por Da Redação 12 nov 2015, 18h37

A Petrobras confirmou a expectativa do mercado financeiro e anunciou prejuízo no terceiro trimestre de 2015, o terceiro número negativo nos últimos cinco trimestres. O resultado ficou em 3,759 bilhões de reais no terceiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado, o resultado negativo havia sido de 5,33 bilhões de reais. Já no segundo trimestre deste ano, a companhia registrou lucro líquido de 531 milhões de reais.

Em comunicado, a empresa atribuiu o resultado do terceiro trimestre ao aumento nas despesas financeiras líquidas devido à valorização do dólar. Segundo a empresa, houve aumento de 5,39 bilhões em despesas financeiras dessa natureza. Outro fator foi a redução nas exportações de petróleo no período. A empresa contabiliza redução de 10%, o equivalente a 40 mil barris por dia.

O prejuízo foi ainda mais negativo do que a expectativa de analistas do mercado financeiro que acompanham a estatal. A média das projeções de cinco casas consultadas (Brasil Plural, BTG Pactual, Itaú BBA, HSBC e uma quinta casa que pediu para não ser identificada) apontava para um prejuízo de 2,34 bilhões de reais. A diferença entre os dois valores ficou em 60,3%.

Em contraste ao fraco resultado financeiro, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou 15,50 bilhões de reais, salto de 82,7% sobre o terceiro trimestre do ano passado, o pior resultado da Petrobras na última década. Foi naquele trimestre que a estatal fez os ajustes devidos em função da revelação de pagamentos de propina. Ao considerar um sobrepreço de 3% nos valores dos contratos assinados com empresas alvo de investigação na Operação Lava Jato, a Petrobras chegou a uma perda estimada de 4,06 bilhões de reais.

Além disso, no mesmo terceiro trimestre, a estatal contabilizou perdas bilionárias com o cancelamento dos projetos das refinarias Premium I e II e com recebíveis no setor elétrico. Essa combinação de fatores contribuiu para o forte prejuízo do período e para o Ebitda inferior a 10 bilhões de reais, o que não ocorria desde 2008.

No terceiro trimestre deste ano, por outro lado, tais itens não recorrentes não se repetiram e a companhia ainda foi beneficiada por um ambiente mais favorável no segmento de Distribuição. Os preços da gasolina e do diesel importados pela Petrobras encolheram, reflexo da queda da cotação internacional do petróleo, e nesse mesmo intervalo a estatal anunciou dois reajustes de gasolina e diesel vendidos no Brasil.

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No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a estatal acumula lucro líquido de 2,10 bilhões de reais, o que representa uma queda de 58% na comparação com o mesmo período de 2014. Ainda de janeiro a setembro, a dívida líquida da empresa subiu 43%, para 402,3 bilhões de reais, ante 282 bilhões de reais no mesmo período de 2014. Já os investimentos somaram 55,48 bilhões de reais no acumulado do ano até setembro, montante 11,3% inferior ao desembolsado no mesmo período do ano passado. A queda já era esperada e tem como pano de fundo o delicado momento financeiro enfrentado pela estatal.

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Previsões – Em relação aos investimentos, a Petrobras que projeta terminar 2015 com aporte de 23 bilhões de dólares, menos que os 25 bilhões de dólares previstos para este ano no plano de negócios revisado para baixo pela estatal no mês passado. No caso do caixa, a petroleira disse que espera terminar dezembro com 22 bilhões de dólares disponíveis, abaixo dos 26 bilhões de dólares no fim do terceiro trimestre.

(Com Estadão Conteúdo)

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