Petrobras sobe após produção recorde; mercado vê balanço mais forte
Analistas projetam lucro de US$ 8,4 bilhões para o segundo trimestre com dividendos de US$ 2,8 bilhões
As ações da Petrobras sobem no pré-mercado desta quarta-feira, 29, após a companhia reportar um crescimento de 14% na produção do segundo trimestre de 2026. Analistas ouvidos por VEJA afirmam que os resultados vieram acima do esperado, impulsionados por recordes tanto na produção quanto no refino, reflexo da maior eficiência operacional da estatal.
Por volta das 9h, as American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras avançavam 1,66% no pré-mercado de Nova York. A companhia registrou produção de 3,3 milhões de barris de óleo por dia, alta de 14,4% na comparação com o mesmo período do ano passado e um recorde para o período.
Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, afirma que o desempenho foi impulsionado pela maior eficiência operacional das plataformas do pré-sal, como Maria Quitéria e Alexandre de Gusmão, além da entrada antecipada da plataforma P-79 em Búzios.
“O campo de Búzios, inclusive, superou pela primeira vez a marca de um milhão de barris por dia em média mensal”, destaca Uarian.
A produção total operada também atingiu um recorde, alcançando quase 4,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia. No segmento de refino, o fator de utilização das refinarias chegou a 101,2%, o maior patamar trimestral da história da companhia. O desempenho permitiu elevar a produção de derivados para cerca de 1,92 milhão de barris por dia, com recordes na fabricação de diesel S10 e querosene de aviação.
Os analistas do Citi dizem que a Petrobras apresentou fortes números operacionais no segundo trimestre de 2026, impulsionados por novos recordes tanto na área de exploração e produção (upstream) quanto no refino (downstream).
O que esperar do balanço e do dividendos da Petrobras?
Os analistas do Citi comentam que as vendas domésticas permaneceram praticamente estáveis frente ao trimestre anterior, com o aumento das vendas de diesel e GLP compensando a queda nas comercializações de gasolina e querosene de aviação, influenciadas pela maior competitividade do etanol e por fatores sazonais.
“O forte desempenho operacional, combinado ao aumento das exportações de petróleo, à alta do preço médio do Brent e à provável redução dos custos de extração, deve resultar em resultados financeiros mais robustos e dividendos maiores no trimestre, embora parcialmente limitados pela política de preços dos combustíveis e pela demora no recebimento de subsídios”, apontam Gabriel Barra, Pedro Gama e Andres Cardona, que assinam o relatório do Citi.
Os analistas do Safra destacam que a produção de petróleo do pré-sal cresceu 5% em relação ao trimestre anterior, beneficiada pela entrada em operação de cinco novos poços produtores, todos localizados na Bacia de Santos.
“Esse desempenho compensou amplamente a queda de 1% na produção do pós-sal frente ao trimestre anterior, provocada por maiores paradas para manutenção na Bacia de Campos, apesar da entrada em operação de outros cinco poços produtores — quatro em Campos e um em Santos”, afirma a equipe do banco.
Após a prévia, o Safra estima que a Petrobras reporte um Ebitda ajustado consolidado de 17,5 bilhões de dólares, alta de 49% em relação ao trimestre anterior, com margem de 56%, além de um lucro líquido de 8,4 bilhões de dólares para o segundo trimestre de 2026.
“Também estimamos o pagamento de 2,8 bilhões de dólares em dividendos ordinários no trimestre, o que corresponde a um dividend yield de 2,7% para as ações preferenciais”, concluem Conrado Vegne e Vinícius Andrade, que assinam o relatório do Safra.
Em linhas gerais, os especialistas avaliam que a Petrobras entregou um trimestre operacional bastante sólido, demonstrando ganhos consistentes de eficiência. O desempenho reforça o otimismo do mercado em relação ao balanço da Petrobras do segundo trimestre de 2026, cuja divulgação está prevista para o próximo dia 6 de agosto.







