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Petrobras sairá de transporte e distribuição de gás

Dentro de plano de vender oito refinarias, presidente da estatal afirmou que a empresa pretende se desfazer de pelo menos uma ainda neste ano

Por Reuters Atualizado em 27 jun 2019, 20h51 - Publicado em 27 jun 2019, 20h47

A Petrobras deverá sair dos segmentos de transporte e distribuição de gás no Brasil, disse nesta quinta-feira, 27, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, após participar de evento na B3 que marcou a venda de ações da petroleira pela Caixa. Os comentários foram feitos depois de o governo anunciar nesta semana um plano para acabar com monopólios no setor de gás, amplamente dominado pela estatal.

Questionado sobre o assunto, Castello Branco disse que não cabe à Petrobras “fazer políticas públicas”, mas ele indicou que a companhia está afinada com o plano governamental, que se encaixa com o plano de desinvestimentos de ativos da petroleira. “Vamos abrir espaço, vendendo empresas, saindo do transporte, já começamos a andar com isso, vendendo a NTS [Nova Transportadora do Sudeste] e a TAG [Transportadora Associada de Gás]”, destacou o CEO, em referência a desinvestimentos bilionários na área de gasodutos.

“Vamos aprofundar a venda de gasodutos, vamos sair da distribuição de gás e outras medidas que estão sendo discutidas com o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica]”, acrescentou ao ser questionado por jornalistas. Ele comentou que a empresa está muito próxima de um acordo como Cade, mas não quis dar detalhes sobre o assunto por questões de sigilo. “A Petrobras vai desenvolver todos os esforços para que tenhamos um mercado competitivo e vibrante, estamos em conversas com o Cade, e posteriormente saberão os resultados”, comentou.

Refinarias

O executivo também comentou sobre itens previstos no plano de desinvestimentos, com o qual a companhia espera levantar recursos para pagar dívidas e focar na sua atividade principal, a exploração e produção de petróleo e gás. Ele disse que a venda de uma fatia adicional da empresa de distribuição de combustíveis da Petrobras, a BR Distribuidora, deverá ocorrer no prazo mais curto possível.

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“Não temos nada ainda definido, mas ela (operação) acontecerá, sem dúvida. Esperamos voltar à B3 no mais curto espaço de tempo possível”, declarou, referindo-se à venda da fatia na BR, na qual a empresa detém atualmente uma participação de 71,25%, após ter feito no final de 2017 uma oferta inicial de ações da subsidiária que levantou cerca de 5 bilhões de reais.

Dentro de um plano da empresa de vender oito refinarias, ou 50% de sua capacidade de refino, Castello Branco afirmou que a Petrobras pretende vender pelo menos uma refinaria ainda neste ano. Com relação à operação para a venda da Liquigás, distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) da Petrobras, o executivo lembrou que a companhia já recebeu ofertas não vinculantes e destacou que já selecionou as melhores.

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“Esperamos receber as propostas vinculantes no início de agosto”, completou, ressaltando que a companhia tomou precauções para limitar a participação de empresas que já tenham marcas relevantes na distribuição de gás em botijão. Essa é a segunda tentativa da Petrobras de vender a Liquigás. Em 2016, a companhia chegou a um acordo para vender a unidade à Ultrapar Participações por 2,8 bilhões de reais, mas o negócio foi bloqueado pelo Cade. “Queremos abrir mão do poder de monopólio, mas não transferir o monopólio estatal para o monopólio privado.”

Sobre a operação da venda de ações pela Caixa, ele destacou que foi a maior oferta secundária desde 2010, movimentando mais de 7 bilhões de reais. “Resultados bons do ponto de vista de precificação e contribuição para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro… Aumenta a liquidez das ações ordinárias da Petrobras, o que é bom para o comportamento das ações.”

 

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