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Petrobras não publica balanço, que agora deve vir sem baixas contábeis

Estatal não divulgou resultados financeiros nesta terça-feira, contrariando expectativas do mercado. Perdas com corrupção podem alcançar R$ 52 bi

Por Da Redação 27 jan 2015, 23h42

A expectativa no mercado sobre a possível divulgação, nesta terça-feira, do resultado não auditado do terceiro trimestre de 2014 da Petrobras não se confirmou. O Conselho de Administração da estatal não chegou a um consenso sobre a publicação das baixas contábeis e deve publicar o balanço sem essas informações, segundo uma fonte ligada à companhia ouvida pelo jornal O Globo. A publicação dos dados financeiros já foi adiada outras duas vezes devido aos desdobramentos da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o megaesquema de corrupção envolvendo a petroleira.

De acordo com a fonte, que participou nesta terça de uma reunião de conselheiros que durou mais de onze horas, houve dúvidas sobre como separar no balanço os desvios por corrupção dos prejuízos com outros fatores, entre eles projetos ineficientes e atrasos causados por chuvas. Segundo O Globo, a estatal agora vai consultar um órgão regulador do mercado de capitais americano, a Securities and Exchange Comission, para descobrir a melhor forma de calcular as perdas com corrupção.

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Pessoas próximas à Petrobras esperavam que a empresa reconhecesse uma baixa contábil de até 20 bilhões de dólares (cerca de 52 bilhões de reais), ou o equivalente a 42% do valor de mercado atual da companhia. Além disso, analistas falam em uma possível redução de 30% do plano de investimentos da estatal. A publicação do balanço sem as perdas contábeis não é suficiente para satisfazer os investidores, apontam observadores do mercado financeiro, mas tem como consequência prática evitar que a petroleira seja considerada em situação de default ou “calote técnico”. Isso ocorre se a empresa descumpre cláusulas contratuais com seus credores no exterior, entre elas o prazo para publicação de seus resultados. Esperada inicialmente para 14 de novembro, a divulgação do balanço foi adiada para 12 de dezembro, quando também não ocorreu. Em 29 de dezembro, quando venceu o prazo para publicação estabelecido nos contratos que regem os títulos da dívida (bonds) da Petrobras, a estatal informou que pretendia divulgar os resultados até o fim de janeiro e assim evitar a declaração do “calote técnico” – isso ocorre em até 60 dias a partir de um “aviso de default” feito pelos credores. Lava Jato – Segundo informações da PF, de procuradores do Ministério Público e de delatores do caso, executivos da estatal indicados por partidos políticos conspiraram com empresas de engenharia e construção do país para sobrevalorizar refinarias, navios e outros bens e serviços da Petrobras. Os valores excedentes dos projetos teriam sido desviados para executivos, políticos e partidos. Em vídeo publicitário que começou a ser veiculado no fim de semana, a Petrobras afirma que “década após década, desafio após desafio, seguimos em frente. Recentemente fizemos uma descoberta que surpreendeu o mundo: o pré-sal. Hoje os desafios são outros. Por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão”.

(Com agência Reuters)

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