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Petrobras manterá política de preços, diz Graças Foster

Por Leila Coimbra e Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 13 Fev (Reuters) – Com o novo comando, a Petrobras manterá a sua política de não repassar a volatilidade do mercado internacional de petróleo para os preços dos combustíveis no Brasil, algo que tem pesado no desempenho da companhia e é criticado pelo mercado.

“Política de preços é de longo prazo, é um mantra”, declarou nesta segunda-feira a nova presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, em sua primeira entrevista como comandante da estatal.

Um petróleo Brent mais alto e a manutenção de preços no Brasil foram, entre outros fatores, o que afetou o desempenho da estatal no quarto trimestre de 2011.

“Não podemos passar a volatilidade de preço de Brent e de câmbio para dentro do mercado porque nós precisamos desse mercado saudável, estável, para que a gente possa ter esse mercado ainda maior quando as nossas refinarias chegarem”, justificou Graça Foster, como a nova presidente gosta de ser chamada.

Mais cedo, no discurso da cerimônia de posse que contou com a presença da presidente Dilma Rousseff, a executiva já havia indicado que sua gestão seria de “continuidade”.

Segundo Graça Foster, o repasse da volatilidade de preços pode afetar o desenvolvimento do crescente mercado de combustíveis no Brasil, que tem avançado acima do ritmo do Produto Interno Bruto (PIB).

“Esse mercado grande precisa ser sustentável, ele não pode ser o voo da galinha, é preciso que a economia continue sustentável, o crescimento econômico sustentável, que o consumidor continue comprando gasolina, continue tendo grande consumo de diesel, porque nós estamos com quatro novas refinarias para acontecer…”, disse ela.

A política de preços também segue determinação do governo, que busca evitar impactos inflacionários com eventuais altas.

A presidente da Petrobras disse ainda que, com um mercado crescente, a estatal poderá contabilizar na sua “margem volume que antes pensávamos em colocar no exterior”, com a produção de combustíveis das futuras refinarias.

De acordo com Graça Foster, o momento que vai ocorrer o aumento do preço “não está programado”. “Quem vende precisa de escala, e esse volume grande está vindo com o crescimento da economia”, comentou.

DIRETORIA SEM MUDANÇAS

Graça Foster afirmou que não pretende mais fazer modificações em sua equipe de diretores e presidentes de subsidiárias da estatal, como BR Distribuidora e Transpetro.

“Não sou muito de mudar pessoas (em cargos). Vai haver pouquíssimo movimento.”

Ela disse que apenas os cargos de gerência que ficaram vagos com a saída de José Formigli, que assume a Diretoria de Exploração e Produção, e de José Alcides Santoro, que vai para a Diretoria de Gás e Energia, deverão ser preenchidos, mas que não haverá mudanças no primeiro escalão.

“Essa é a minha equipe.”

INVESTIMENTOS

Questionada se vai trabalhar para aumentar investimentos, ela afirmou que isso “não é o plano”.

“Rever o plano é uma rotina na companhia. O plano está sempre em revisão. Se perguntar se vai fazer mais quatro plantas de fertilizantes, mais oito térmicas, não. O nosso plano, as metas estão muito claras… quem tem um investimento de 224 bilhões de dólares definiu seu caminho para cinco, para seis, para oito, para dez anos”, declarou.

Segundo ela, não há um prazo para divulgar o Plano de Negócios 2012-2016.

EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO

Ela afirmou que a sua prioridade será aumentar a exploração e produção de petróleo, mas não quis anunciar metas previamente. “Eu preciso de um tempo para definir uma meta de produção para este ano”, disse.

Em 2011, a estatal não conseguiu cumprir, pelo segundo ano consecutivo, sua meta de produção, de 2,1 milhões de barris diários. A média ficou em 2,022 milhões de barris/dia, volume 3,7 por cento inferior ao estabelecido como alvo.

Uma produção de petróleo abaixo das expectativas, juntamente à elevação dos custos com importação de derivados de petróleo (gasolina, em especial), pressionou o lucro da Petrobras no ano passado, decepcionando os investidores.

Em 2011, o lucro líquido da estatal foi de 33,3 bilhões de reais, 5 por cento inferior ao lucro de 2010, de 35,2 bilhões de reais.

Ela declarou ainda que a questão de segurança operacional é prioritária. E se porventura a estatal tiver de rever prazos para cumprir as normas, ela não vê problemas de fazer isso.

“A minha perseguição de metas é frágil quando comparada a questões de segurança, vida humana e prejuízo ambiental”, declarou a executiva.

A empresa tem sido pressionada por investidores a cumprir metas de produção, o que não foi possível em 2011 em parte porque enfrentou fiscalização mais rigorosa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em suas plataformas.

ETANOL

Segundo Graças Foster, os investimentos no setor de etanol continuarão sendo realizados. “O que nós vamos fazer por razões econômicas é aumentar a participação em etanol, mas isso não é em estalo de dedo, são dois, três, quatro, cinco anos para que alcancemos a posição número um no mercado de etanol”, disse, evitando dizer se o crescimento seria por aquisições.

PDVSA

A executiva disse ainda que a Petrobras vem trabalhando “pesadíssimo” na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e que se a estatal venezuelana PDVSA conseguir resolver suas pendências de empréstimos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá entrar na sociedade, com 40 por cento do capital.

Segundo Graça Foster, além de Abreu e Lima, outras três refinarias estão em construção pela estatal no país, com previsão de produção de gasolina, diesel, nafta e querosene de aviação a partir de 2013.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Jeb Blount)