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Petrobras freia busca por novos poços

Com corte de investimentos na área, fabricantes e fornecedores de equipamentos tiveram prejuízos e passaram a demitir

Por Da Redação 21 dez 2014, 10h34

Com problemas de caixa, a Petrobras optou por cortar investimentos, principalmente na perfuração novos poços, que consome muito capital, e concentrou-se na produção de poços já existentes. Segundo executivos do setor, a medida pegou de surpresa fornecedores: provocou prejuízo em empresas que fizeram grandes investimentos, levou a demissões de profissionais qualificados e está desmantelando a ampla cadeia de negócios voltada à prospecção de novos poços.

A freada na perfuração fica clara quando se acompanha as sondas em alto mar, também chamadas de plataformas offshore. Os relatórios de operação das sondas de perfuração mostram que vinte chegaram a perfurar novos poços de petróleo em janeiro de 2013. Na semana passada, apenas sete estavam nessa atividade. A maioria das sondas, 37 delas, atuava na chamada completação, atividade que prepara o poço para produzir.

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No relatório, constata-se que o número total de sondas de perfuração vem caindo: chegou a 80 em janeiro de 2013 e agora são 60. Na última semana, catorze dessas sondas atuam em “outras operações”, designação genérica que, para especialistas, sinaliza que elas podem estar paradas. Para a Petrobras, manter os equipamentos parados pode ser uma boa economia. Por dia, apenas o aluguel da sonda varia de 300 000 a quase 1 milhão de dólares. Quando estão operando, os custos dobram. Para o prestador de serviço, porém, a locação pura e simples não é boa. Na maioria dos casos, o contrato prevê que o equipamento deve equivaler a 20% dos custos. Assim, se a sonda parar, o prestador de serviço fica sem 80% do valor previsto.

Perfuração – A perfuração, principalmente em alto mar, é um dos segmentos mais dinâmicos do setor de petróleo. Inclui fabricantes e fornecedores de grandes equipamentos e centenas de pequenas peças, como brocas, válvulas, mangueiras e bombas, além de uma ampla estrutura de transporte, operação e manutenção das sondas.

A Petrobras chegou a sinalizar a intenção de perfurar 1.000 poços no país e atraiu as maiores do setor, como Schlumberger, Baker Hughes, Halliburton e NOV, que fizeram investimentos milionários, tiveram prejuízo e passaram a demitir.

A estratégia de focar na produção e frear a perfuração teve início em meados de 2012. Na época, o lucro líquido da Petrobras caía e a estatal já sentia os efeitos do congelamento do preço do combustível, iniciado em 2011. De lá para cá, expectativas de contratos se frustraram e licitações foram adiadas. No setor, estima-se que mais de 5.000 tenham sido demitidos na área de perfuração.

Em nota, a Petrobras informou que aumentou a demanda por serviços de intervenção em poços, “compensando eventual redução cíclica dos serviços utilizados para as atividades de investimentos da produção (perfuração e completação de poços).” Destacou que o plano de negócios de 2014 a 2018 prevê investimento de 23,5 bilhões de dólares na atividade exploratória e de 130,4 bilhões de dólares no desenvolvimento da produção.

(Com Estadão Conteúdo)

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