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Petrobras confirma que fechará refinaria de Okinawa, no Japão

Em nota à imprensa, estatal disse que o plano de saída da ilha prevê o encerramento das atividades da refinaria Nansey Sekiyu (NSS)

Por Da Redação - 27 mar 2015, 13h38

A Petrobras confirmou nesta sexta-feira que decidiu dar início a seu plano de saída de Okinawa, Japão. O plano, segundo nota enviada à imprensa, prevê o encerramento das atividades da refinaria Nansey Sekiyu (NSS).

Para manter o abastecimento da ilha de Okinawa, a NSS dará continuidade à atuação do terminal marítimo de carga até a finalização do plano, que será conduzido em estreita colaboração com o governo japonês. “Durante todo o processo, a Petrobras continuará a atuar de forma responsável e alinhada às melhores práticas de responsabilidade socioambiental, comprometida com a população de Okinawa e com sua força de trabalho local”, informou a petroleira.

Nesta quinta-feira, a agência de notícias japonesa Nikkei já havia informado o fechamento da refinaria. Segundo a publicação, a queda nos preços internacionais de petróleo e a diminuição na demanda por gasolina no país oriental prejudicaram a rentabilidade de Nansei Sekiyu. A empresa brasileira detém 100% da participação na refinaria.

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Histórico – O negócio envolvendo a refinaria japonesa foi alvo de críticas desde a compra. A aquisição, em abril de 2008, foi acertada por 70 milhões de dólares. Desde então a estatal gastou cifras milionárias para resolver problemas ambientais e promover melhorias operacionais na unidade. A compra foi fechada na gestão de José Sérgio Gabrielli e dos então diretores de Abastecimento Paulo Roberto Costa e de Internacional Nestor Cerveró, ambos investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF). A estatal tentou vender a refinaria nos últimos anos. Até então, a unidade operava com carga mínima, longe da meta de produção original, de 100 mil barris de petróleo por dia.

O caso remete à problemática compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou em julho de 2014 prejuízo de 792 milhões de dólares em Pasadena. A presidente Dilma Rousseff, que era presidente do colegiado quando a Petrobras aprovou a compra de parte da refinaria, chegou a admitir que só votou a favor da compra porque se baseou num parecer “falho” do então diretor da área Internacional.

Desinvestimentos – A estatal aprovou, no início de março, um plano para desinvestir 13,7 bilhões de dólares entre 2015 e 2016, uma mudança significativa em relação ao plano de negócios para 2014-2018, que previa desinvestimentos de até 11 bilhões de dólares ao longo de cinco anos.

Envolvida em um escândalo bilionário de desvio de verbas, investigado pela Operação Lava Jato, a Petrobras trabalha para não precisar captar recursos no mercado em 2015 e recorrer o mínimo possível a contratações de dívidas nos dois anos seguintes.

A Petrobras não comentou imediatamente se o ativo no Japão integra o plano de desinvestimento.

(Da redação)

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